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Vai encarar? Trânsito em Jaipur, Índia (Foto: Kathleen Button)

Não que sirva de consolo para o motorista das grandes cidades brasileiras, castigado com índices de trânsito cada vez mais medonhos e intoleráveis.

Mas… sempre dá para ser pior. Muito pior.

Não acreditam? Pois o vídeo abaixo, publicado já há tempos no You Tube por um usuário identificado como “17splinter”, capta 16 minutos e 50 segundos do tráfego de um cruzamento importante em Jaipur, fervilhante cidade com mais de 3 milhões de habitantes, capital da região do Rajastão, na Índia.

A quantidade de informação visual registrada neste curto período de tempo, incluindo centenas de “quase-acidentes”, é absolutamente delirante.

Não há semáforos, e embora as faixas de pedestre marquem presença, é com se fossem invisíveis. Os coletivos param a torto e a direito, onde dá na telha do motorista.

Contei em meio ao caos os seguintes meios de transporte: carros de todos os modelos e tamanhos, uma espécie de bicicleta-charrete que leva gente, outra parecida utilizada para (quantidades inverossímeis de) carga, ônibus, micro-ônibus, vans, bicicletas, motos, lambretas, charretes, carrinhos de mão, tuc-tucs e até uma escavadeira.

Os veículos transitam, com certa velocidade, em todas as direções possíveis e imagináveis, incluindo a ré. Alguns realizam súbitas conversões de 180 graus com uma naturalidade assombrosa, e o som da buzina nunca para.

Em meio a isso, é claro, milhares de pessoas de todas as idades cruzam a rua como se estivessem passeando. É imperdível:

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4 Comentários

Claudio em 30 de julho de 2013

oi, Setti, mas que troço! Eu moro na Holanda: em mais de dois anos, devo ter ouvido duas buzinadas, vi no máximo três batidas, simples; bicicleta manda, faixa de pedestre é a perfeição, sinais de trânsito funcionam; quer mudar de faixa? uma setinha de nada e o carro do seu lado te dá total espaço e espera o tempo que for preciso para você entrar. Os motoristas r-e-s-p-e-i-t-a-m aos outros e a todos. Rapaz, não é pouca coisa. Dirigir aqui é simplesmente bom. Igualzinho no Brasil! Abraço.

danir em 29 de julho de 2013

Olá Setti, de novo escrevendo sobre algumas de minhas andanças pelo mundo. Nunca estive na Índia, mas estive no Iraque no tempo da guerra Iran-Iraque e vivi alguns momentos de trânsito caótico como em Jaipur. Uma vez em Bagdá, vi uma pick-up fazer o contorno de uma praça, com duas pessoas na caçamba. Por imperícia do motorista, que não avaliou a velocidade corretamente, uma delas foi arremessada do carro como se fosse um pacote impulsionado pela força centrífuga. O motorista quase foi linchado pelos transeuntes, e depois de uma acalorada discussão como costuma acontecer no mundo árabe, cada um foi para seu lado. O passageiro projétil foi socorrido pela multidão, e, constatado que não tinha quebrado nada, voltou para seu posto na caçamba, não sem antes levar uma descompostura do motorista, para que não vacilasse outra vez. Pude acompanhar a conversação, pois um de meus colegas de trabalho falava o árabe fluentemente e descreveu a cena com detalhes da impostação das falas. Episodio tragicômico. Comentávamos que, com a súbita ascensão econômica do Iraque, devido ao petróleo, eles saíram da condução de mulas direto para a tecnologia automotiva japonesa, sem etapas intermediárias. Mas o que eu queria dizer, a respeito deste vídeo, sem fazer humor, é que às vezes o transito flui melhor quando aparentemente caótico do que quando excessivamente controlado. Me lembro de um texto do saudoso Millôr Fernandes a este respeito, raciocinando sobre a ação nem sempre bem vinda de técnicos que querem impingir suas ideias sobre como devemos nos deslocar nas vias públicas. Sempre que enfrento episódios caóticos no trânsito me lembro do Millôr e do episódio no Iraque (um dos diversos que vivi). Penso sinceramente que talvez o caminho da perfeição esteja entre a organização caótica de Jaipur e a bagunça organizada de Roma. A diferença talvez esteja na consciência situacional das pessoas que estão participando do processo, que no caso de Roma é baixa. Gostaria de saber das estatísticas de acidentes nestes lugares para comparar com aquelas de lugares organizados e "mais civilizados" como Roma ou São Paulo. Talvez o resultado seja surpreendente. Um grande Abraço. Caro Danir, obrigado por seu relato. E vou tentar pesquisar estatísticas de acidentes de trânsito em cidades como as que você e eu mencionamos -- embora duvide que sejam precisas. É uma ótima ideia. Um abração

Caio Frascino Cassaro em 28 de julho de 2013

Prezado Setti: É ruim, mas pode piorar. É só eles elegerem o Fernando "Coxinha" Haddad prefeito. Abs

Marco em 28 de julho de 2013

Don Setti, aproveitando, q estou brabo com minha mulher, q foi na festa do queijo em Carlos Barbosa e esqueceu de me trazer figada. Vou te dizer uma coisa, o q atrapalha o trânsito às vezes é Guardas e sinaleiras, onde tem fiscal d trânsito ,tem congestionamento, o pior q são pagos para fazer fluir o trânsito. Tu imagina se na praia ou no sábado em supermercados ou em ruas movimentadas do centro. Houvesse sinalização. Meu Deus do Céu. Acho q só atrapalharia, mais ainda... E o meu guri dá sala me pergunta q tanta buzina é essa... ( risos)... E se tu ficou satisfeito em colocar o tricolor na zona do rebaixamento. ( risos)... Abs.

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