VÍDEO: FHC conversa com Ricardo Setti e Augusto Nunes sobre a revolta da rua. PARTE 1: “O discurso oficial não condiz com a vida cotidiana”

Enquanto a presidente Dilma Rousseff improvisa saídas e o co-presidente Lula cancela aparições públicas, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso reflete sobre as manifestações de protesto que se espalham pelo país.

No fim da manhã de sexta-feira, depois de ter concedido entrevistas a jornalistas da Colômbia e dos Estados Unidos interessados em explicações para a crise brasileira, FHC conversou em sua casa, no bairro de Higienópolis, em São Paulo, com Ricardo Setti e Augusto Nunes, do site de VEJA.

Nesta primeira das três partes da entrevista, o ex-presidente compara as manifestações de hoje com insurreições que testemunhou aqui e no exterior. Para FHC, o que acontece no país tem semelhança com a rebelião ocorrida na França maio de 1968. “Enquanto no Chile se dizia ‘abaixo o imperialismo’, na França o discurso era o do ‘é proibido proibir”, lembra o sociólogo, que era professor na Universidade de Nanterre, justamente o epicentro da revolta.

“Existe uma contradição entre o discurso oficial e a vida cotidiana”, observa. “O ‘nunca antes neste país’ não condiz com o transporte, a saúde e a segurança pública de péssima qualidade”. Segundo o ex-presidente, está mais do que na hora de o governo admitir seus erros, como no caso da Copa do Mundo. “O legado da Copa não existe”, diz. “Só os estádios, muitos construídos com empréstimos públicos”.

FHC arrisca uma previsão. “Não resta dúvida de que sobrará para o governo”.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

treze − 2 =