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Catadores de São Paulo ajudaram designers na busca por material reciclado para projeto

Os projetistas londrinos Azusa Murakami e Alexander Groves, do Studio Swine, construíram uma fundição móvel para processar latinhas de alumínio recolhidas na cidade de São Paulo e com isso criar móveis e outros objetos úteis e comercializáveis, e mostram como fazer em um vídeo encomendado pelo Coletivo Amor de Madre.

Catadores independentes dão conta de mais de 80% da coleta de lixo reciclável da capital paulista, e a iniciativa da produção do vídeo foi uma forma de mostrar como esses bravos “garimpeiros” podem valorizar o seu material, transformando o lixo em produtos.

A dupla recolheu latas descartadas de um vendedor ambulante; óleo de cozinha usado em feira que serviu como combustível para fundir o alumínio; areia em canteiro de obras para criar moldes e assim por diante — de forma que todo o material utilizado foi criado a partir de objetos recolhidos nas ruas.

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A fundição improvisada

Cerca de 60 latinhas de alumínio foram transformadas em um banquinho criativo. Ao longo do filme, foram feitos quatro banquinhos, tendo sido usados como moldes uma folha de palmeira, o fundo de uma cesta, pedações de tijolos de ventilação, tubos plásticos e até um boné. “Ao contrário dos móveis de alumínio convencionais, cada um destes são únicos e expressivos”, disse um dos designers. “Fabricados no local, materiais efêmeros encontrados nas ruas transformam-se em objetos de metal, fornecendo ao mesmo tempo um retrato da ruas”.

As sobras da produção foram doadas e a fundição improvisada permanece em São Paulo, onde o projeto vai continuar com uma nova série de produtos e móveis feitos em uma favela. A ideia dos designers é que catadores possam compartilhar o forno e aumentar significativamente a quantidade de dinheiro que podem obter com os materiais que recolhem.

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Cada banquinho é feito com cerca de 60 latinhas

Os designers sugerem que, com o forno, catadores podem lançar pequenos itens para vender como lembranças na Copa de 2014 ou dos Jogos Olímpicos de 2016.

O vídeo Can City (que pode ser traduzido como “cidade de lata” mas cujo título contém igualmente as palavras “cidade pode”) é uma produção de Juriaan Booij e tem trilha sonora é a música Avalanche Star Slinger, de Balckbird Blackbird.

Can City from Studio Swine on Vimeo.

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3 Comentários

Renato Carvalho em 20 de novembro de 2013

Muito bom, Setti. Há 20 anos faço um trabalho de artes plásticas somente com material retirado do lixo. Apenas lixo, quando for o caso, e faço uma pintura abstrata multi-colorida. Qualquer objeto, até vidros e copos quebrados, colados e pintados. É fascinante ver a transformação dos objetos. Do Lixo ao Luxo foi como se chamou minha exposição na sala Renato Russo em Brasília. Grande abraço e sempre grato pelos ótimos posts.

Fábio-SC em 19 de novembro de 2013

Olá Setti. Parabéns pela postagem. Em seu blog sempre é possível encontrar assuntos interessantes. Esse, em particular achei nota dez.

Marco em 18 de novembro de 2013

D. Setti,o vimeo para mim é muito pesado, consegui ver algumas coisas, projeto audiovisual muito bem feito, aqui em Poa, vídeos com catadores de lixo, mendigos e artista de ruas. Via edital do Correio pagam até de R$ 500 mil a 1 milhão por menos de 5 minutos. Eles acham q a exploração de desgraça alheia uma coisa maravilhante. A fraqueza humana como realidade. Alguns fumos nos parques tb são privilegiados. Os vídeos tem q mostrar bastante sofrimento, culpa, injustiça. Nisso temos um mestre aqui chamado Jorge Furtado, o produtor mais tolo milionário q conheço. Aliás burro somos nós. ( Risos). Abs.

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