Image
“Surfista de trem” desvia de cabos de alta voltagem na África do Sul (Imagem: Reprodução)

No Brasil, os chamados “surfistas de trem” já são tão incorporados ao cotidiano dos sistemas de transporte ferroviário suburbano que até já foram parar em letra de música de Jorge Ben Jor.

“Deu no New York Times / Fernando, o Belo /Não sabe se vai participar / Do próximo campeonato /De surf ferroviário /Surfista de trem /Surfista de trem”, canta o genial músico carioca no compacto de grande sucesso “W Brasil (Chame o Síndico)”, de 1990.

A “modalidade” ilegal e de altíssimo risco de morte para quem a pratica, porém, não é exclusividade nossa. Na África do Sul, sobretudo em Kathelong, um importante township (espécie de conjunto habitacional precário criado para negros durante o nefasto regime do apartheid) a cerca de 30 quilômetros a leste de Joanesburgo, o staff riding (tradução livre: “passeio no mastro”) representa uma verdadeira febre.

Atento ao fenômeno experimentado há décadas no pobre e violento subúrbio, o cineasta italiano radicado em Milão Marco Casino foi conferir de perto a atuação dos insanos aventureiros dos trilhos. O resultado é Staff Riding, um minidocumentário de cinco minutos em inglês sul-africano (com legendas em inglês) que mostra os surfistas em ação e colhe depoimentos de três deles.

Mortes e mutilações

O primeiro é Chabedi Thulo, que classifica, sorridente e orgulhoso dos ferimentos adquiridos em ação, o surf ferroviário como “um esporte”. “Não é uma admissão de suicídio”, insiste. Após a entrevista aparentemente insossa de outro surfer, Sibusino Linda, e de um bonito interlúdio com religiosos cantando em um vagão de trem, fala a enfermeira Thabiseng Thulo, mãe de Chabedi.

“O staff riding é uma coisa terrível, não quero nem pensar nisso”, desabafa. Seguramente a angústia de Thabiseng tem algo a ver com o que o filho conta em seguida, a morte de um amigo após receber choque de 3.000 volts, e a de outro “colega” que foi cortado ao meio após cair do trem.

Ao final de seu depoimento, porém, a mãe de Chabedi menciona um acidente vivido pelo outro entrevistado, Subusino. E só aí, quando a câmera mostra o corpo inteiro do rapaz pela primeira vez, percebemos que ele não tem o braço esquerdo e nem metade do direito.

DEIXE UM COMENTÁRIO

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

6 − três =

7 Comentários

Reynaldo-BH em 28 de março de 2014

O carro de nossa geração... A gente se encontra por aí! http://www.youtube.com/watch?v=I_B4-UjQtD8

antipetista em 28 de março de 2014

sensacional esporte, radical e emocionante. tem tudo para dar certo. precisa de patrocinadores.

Mensageiro em 28 de março de 2014

Quem se arrisca desta forma não da muito valor a vida,então só curte o momento de adrenalina. Se perderem a cabeça não fará falta, pois deve ser de um vazio total.

ALMIR DUARTE DE OLIVEIRA em 28 de março de 2014

As regras para publicação de comentários no blog, conforme relembrei aos amigos leitores incontáveis vezes, não aceitam textos escritos somente em maiúsculas, em respeito à boa educação, aos leitores e seguindo uma norma internacionalmente praticada na web. Como presumo que você saiba, palavras em maiúsculas significam palavras gritadas, não é mesmo? Confira as regras no link http://goo.gl/u3JHm Ah! Antes que me esqueça: para comentar o conteúdo e as posturas da revista VEJA, o lugar indicado não é aqui. Sou apenas responsável pelo blog. Escreva para o diretor de Redação, cujo email é veja@abril.com.br Obrigado

Antonio R. Melo Jr. em 28 de março de 2014

Esse pessoal colhe aquilo que planta. Não tenho dó alguma.

Paulo em 27 de março de 2014

Já vi um outro video na Internet que mostra um suicida (pra mim é isso) andando sobre um trem ainda parado na plataforma, na India. Foi só encostar na catenária que a descarga elétrica o matou instantaneamente e caiu na plataforma da estação com o corpo fumegando e partes em chamas.

Bruno Sampaio em 27 de março de 2014

DEsculpe a crueldade, mas não tenho pena nenhuma. Quem procura, acha.

VER + COMENTÁRIOS
TWITTER DO SETTI