VÍDEO IMPERDÍVEL e bastidores do histórico bate-boca entre Brizola e Maluf na campanha presidencial de 1989

debate

Momento do famoso bate-boca entre Paulo Maluf (PDS, germe do atual PP) e Leonel Brizola (PDT), candidatos à Presidência, em debate realizado na Band durante a campanha eleitoral de 1989. “Não lhe concedo aparte”, diz Maluf ao adversário. “O senhor é um desiquilibrado”

Campanha presidencial de 1989: terceiro grande debate entre os presidenciáveis, na TV Bandeirantes, a Band de hoje.

Primeira e movimentadíssima campanha para a Presidência, pelo voto livre e direto dos brasileiros, desde 1960 e após o longo jejum imposto pela ditadura militar (1964-1985).

Bancadas apinhadas de convidados. Por um milagre que não acontece mais, os jornalistas credenciados – ou pelo menos vários jornalistas credenciados – puderam permanecer não relegados às bancadas, mas dentro do estúdio, desde que não ficassem visíveis para as câmeras.

Presentes quase todos os principais candidatos à primeira grande eleição presidencial da democracia pós-regime de 1964: Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Leonel Brizola (PDT), Mário Covas (PSDB), Paulo Salim Maluf (PDS, antecessor do atual PP), Guilherme Afif Domingos (PL, partido que desapareceu dentro do PR de hoje), Roberto Freire (PCB, atual PPS) e Ronaldo Caiado (PSD).

O favorito nas pesquisas de intenção de voto, Fernando Collor, de um partideco chamado PRN, não compareceu, como não apareceria em nenhum outro debate do primeiro turno.

Por diferentes razões, faltaram Ulysses Guimarães (PMDB), Affonso Camargo Neto (PTB) e Aureliano Chaves (PFL, atual DEM).

De repente, o tom subiu de vez

Mediado pela jornalista Marília Gabriela, o debate corria, esquentando e baixando de tom. Até que, a certa altura, o tom subiu de vez.

Durante uma intervenção de Paulo Maluf, o ex-governador Leonel Brizola tenta um aparte, mas Maluf, que segundo o regulamento do debate tinha a palavra, não concede.

Segue-se um bate-boca mas, prevalecendo as regras da emissora, Brizola tem que deixar Maluf seguir em frente:

– Não lhe concedo aparte, porque o senhor é um desequilibrado!

Pausou e repetiu:

– Desequilibrado!

Brizola bufava, tentava replicar, mas Maluf se impõe aos gritos:

– É um desequilibrado!

Apesar das advertências da mediadora, Marília Gabriela, parte da plateia aplaude Maluf.

Brizola, que os correligionários chamavam de “Engenheiro”, por sua profissão original, reage:

– Malufistas! Tudo malufista! Filhotes da ditadura!

Marília Gabriela, para acalmar os ânimos, expertamente chama o intervalo comercial.

“Malufistas! Cambada de malufistas!”

Diante do rumor que continua na plateia, Brizola, fora das câmeras, manifesta crescente desconforto e continua gritando na direção dos aplausos:

– Malufistas! Vocês são todos malufistas! Cambada de malufistas!

Pálido, mostrando indignação, o candidato do PDT levanta-se da bancada e começa a caminhar para fora do estúdio, acompanhado pelo grupo de assessores que trouxera consigo, para preocupação geral, em especial do diretor de jornalismo da Bandeirantes, Fernando Mitre.

Para pasmo geral, Brizola parece estar abandonando o debate.

À época diretor regional do Jornal do Brasil em São Paulo, e escrevendo sistematicamente sobre política, eu estava ali, a alguns metros de distância, encostado à parede do estúdio, justamente no espaço que separava Maluf de Brizola, estando Mário Covas à direita de Maluf.

Como muitos, tive a perfeita sensação de que Brizola, furioso e inconformado, ia mesmo embora, criando um grande caso e produzindo um fato político que teria grande repercussão na mídia e na opinião público. Sobretudo porque todo o seu grupo o acompanhou quando ele se levantou.

Há então um corre-corre atrás do ex-governador.  Um bolo de gente some de minha vista.

De repente, nova surpresa: lépido, já calmo e até risonho, Brizola reaparece no estúdio.

Vai caminhando até a bancada, e volta a sentar-se.

Então se esclareceu o incidente: o Engenheiro só tinha ido fazer xixi.

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