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Evite fila, doe órgãos

Imagine a situação: o camarada vai comprar pão na padaria, pega uma senha e seu número é… 27.951!

Foi isso que aconteceu, no início de maio, com desavisados em alguns supermercados e padarias da capital de São Paulo. Era só uma brincadeira, ou parte de uma “ação de guerrilha”, da campanha publicitária criada pela agência Young & Rubicam, Y&R para conscientização sobre a importância da doação de órgãos.

Quem chegasse para pegar uma senha, recebia um número que ia de 7.000 a 27.951, o número de espera para receber um órgão para transplante, e a frase: “Esta seria sua posição se você estivesse na fila para receber um órgão. Seja um doador de órgãos. Comunique sua família”.

A campanha, realizada para a Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, utilizou essa técnica, a “ação de guerrilha”, uma intervenção urbana inusitada destinada a impactar diretamente o público.

O Brasil alcançou no ano passado seu índice mais alto de doação de órgãos de pessoas mortas para fins de transplante: 9,9 doações por milhão de habitantes. O índice, que pode e deve melhorar, vem crescendo graças ao bom trabalho do Sistema Nacional de Transplantes (SNT), do Ministério da Saúde — em contato com toda a rede de saúde do país –, mas não está mal, comparativamente a outros países: a adiantadíssima Dinamarca, por exemplo, mostra 11,5, o Reino Unido chega a 12, 9, a Holanda, 12,9, e o Canadá 14.

O Brasil está melhor do que países europeus como a Grécia (7,1) e anos-luz na frente de outros, como a Bulgária (2,7 por milhão) ou a Romênia (apenas 1 por milhão de habitantes).

O campeão mundial, disparado, é a Espanha, com 35,3 doações por milhão de habitantes (dados de 2011).

A Y&R voluntariamente é responsável pela conta da Santa Casa de Misericórdia desde 2004, e em 2008 pôde comemorar um aumento de 30% nas doações de órgãos após 3 meses de veiculação da peça “Cachorro”, que você pode ver (ou rever) abaixo:

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2 Comentários

Danielle em 07 de setembro de 2012

Discordo da opinião acima.Trabalho com transplante, e sei que realmente uma campanha publicitária sozinha não resolve o problema das filas de espera. Porém, é necessário que nem que seja por um minuto, ao retirar aquela senha, as pessoas sintam na pele, que talvez não hoje, mas amanhã talvez ela ou um familiar possa vir a precisar..e que o único caminho é avisar a família, as pessoas próximas, o desejo de doar seus órgãos. Gostei e muito da propaganda.

Flavico em 09 de maio de 2012

O problema da publicidade é simplificar tudo de forma muito tosca. Uma fila de espera por órgãos não tem nada a ver com uma fila de pão. Esperar por uma doação de órgãos é um drama inimaginável para quem não convive com o problema. Um drama que envolve também a família e amigos dos transplantados. Essa peça publicitária só serve para mostrar como os criativos da agência são bacaninhas. Só isso. Não vai resolver absolutamente nada. O que precisa ser feito é uma estratégia de conscientização por parte do governo e entidades civis, assim como é feita com relação ao cigarro e ao uso de preservativo. Essa peça não traz conscientização, apenas prêmios e brindes aos criativos.

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