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“Não há ninguém que vista a camisa como ele”, diz trecho da letra da canção da banda Rusca. O técnico Alejandro Sabella e jogadores como Messi não concordam, e o “Apache”, artilheiro no Juventus da Itália, ficou de fora da lista de jogadores argentinos que virão para a Copa (Foto: AFP/Getty Images)

Tão apaixonados por futebol quanto os brasileiros – há quem garanta que sejam até mais -, os argentinos vivem as convocações para copas do mundo da maneira mais dramática possível.

E a espera em torno da lista alviceleste para o mundial do Brasil constituiu um capítulo à parte. Após meses de especulação, confirmou-se o que a grande maioria do público e da imprensa previa: Carlos Tévez, que não foi chamado nenhuma vez durante as Eliminatórias, assistirá o torneio pela televisão.

Argumentos a favor não faltavam

Nenhuma das abordagens argumentativas serviu para convencer o técnico Alejandro Sabella, que na última quarta-feira, 14 de maio, anunciou sua pré-lista de 30 nomes sem incluir o do Apache.

Fracassaram os que alertaram para as estatísticas de campeão do atacante, acumulador de títulos por cinco dos seis clubes pelos quais passou – Boca Juniors, Corinthians, Manchester United, Manchester City e Juventus (com o qual acaba de erguer o Campeonato Italiano).

Frustraram-se também os que ressaltaram a experiência de duas copas de Carlitos (2006 e 2010) e o fato de ainda estar em boa forma, tendo sido o terceiro artilheiro da Serie A italiana nesta temporada, com 19 gols marcados.

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Mural com imagem de Tévez no bairro onde nasceu, Fuerte Apache, em Buenos Aires (Foto: Martín Ron)

Mas lamentaram, sobretudo, os que concentraram seus apelos na esfera afetiva.

El Juegador del Pueblo, como também se apelida o atleta, é um xodó do torcedor argentino, que nele se reconhece pelas origens humildes e vida dura no Fuerte Apache, bairro pobre de Buenos Aires, e que o admira por seu espírito guerreiro extraordinário, capaz de rachar a cabeça na trave para ganhar uma dividida — um daqueles raros jogadores que não desiste nunca da bola, e que levanta a torcida até por ganhar um lateral na raça.

Este blog se une a este coro. Afinal, Tévez é talvez o maior ídolo da história recente do bicampeão mundial Corinthians. Rememorem neste post seus melhores momentos pelo Timão.

Boicote de Messi e outros

Embora a justificativa oficial para a rejeição a Carlitos não tenha sido revelada, muitos jornalistas argentinos afirmam que se trata de um problema “de vestiário”.

Segundo esta teoria, o goleador com cara de mau e atitude de búfalo desafiado seria uma pessoa de difícil convívio. Por isso, fala-se inclusive em um pedido explícito que Lionel Messi e outros jogadores teriam feito ao treinador para deixar o popular ídolo de fora.

No dia da divulgação da relação dos 30, Sabella limitou-se e dizer que “não fala dos que não estão”.

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O técnico argentino Alejandro Sabella: confirmando os prognósticos das Eliminatórias e resolvendo um problema “de vestiário” (Foto: Reuters)

Enquanto isso, nas redes sociais, hashtags como #UnMensajeParaTévez se tornavam trending topics, e o homenageado se pronunciava via Twitter.“ Quero agradecer a toda a gente pelo carinho e o afeto recebido. Temos que entender que nunca fui parte deste processo”, declarou, diplomático.

Em outras ocasiões, porém, havia sido mais irônico diante do descaso do técnico. Chegou a sugerir que Sabella não tinha TV a cabo, e por isso não sabia como ele, Tévez, estava jogando na Juve.

Indo além das milhares de manifestações de apoio ao preterido, o grupo musical argentino Rusca resolveu transformar sua decepção em música, lançando, poucos dias antes do anúncio de Sabella, a canção Carlito’ a la Selección.

O clipe, produzido de forma caseira e bem-humorada, está disponível no YouTube. Reparem que o único integrante da banda a não vestir uma camisa da seleção argentina é o baterista, que preferiu um traje de gala: a camisa do Corinthians. Em seguida, leiam a letra da música.

Esta é a letra da canção para Sabella escutar

O Apache tem colhões para enfrentar qualquer favela

Tévez é o povo, e o povo decide

Vamos cantar bem forte, as pessoas estão pedindo!

Ô, ô, ô, ô, ô, Carlito à Seleção!

Esta canção se grita desde a várzea

Rolando a bola pelo mundo todo

Não há ninguém que vista a camisa como ele

A Argentina o quer jogando em campo!

Ô, ô, ô, ô, ô, Carlito à Seleção!

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12 Comentários

carlos nascimento em 17 de maio de 2014

Ricardo, Creio que o pós Copa do Mundo vá gerar grandes mudanças no cenário futebolístico mundial, que tal algumas previsões. Lá vai a minha primeira: - Neymar e Messi - esses dois jogadores dificilmente continuarão jogando juntos no Barcelona, creio que a renovação antecipada do contrato do Messi, sinalizou as intenções do time grená. Já se fala abertamente por lá que Neymar anda ofuscando o brilho de Messi, isso gerou desconforto no ego do argentino, ele andou ameaçando se transferir para .....(quem adivinha). Por isso da renovação imediata. O Barcelona vai precisar fazer caixa, logo, se o Brasil for o Campeão, o valor do passe do garoto estará valorizado. Acho que Neymar vai jogar na.....França.

carlos nascimento em 17 de maio de 2014

Ricardo, Sem abusar da sua generosidade, mas....ajude-nos entender as derrotas de REAL e BARCELONA para o ATLÉTICO na disputa do campeonato espanhol, com elencos bilionários, tendo CR7 e LIONEL MESSI em suas folhas de pagamentos, ambos custando a fábula anual de quase 80 milhões de euros, qual seria o diagnóstico para essa tragédia ? Seria culpa do espelho ? Seria culpa da fadiga de material ? ou culpa do "louco" Simeone ? abraços. Acho que você já respondeu quando fez as três últimas perguntas, caro Carlos... Parece-me que os três fatores somados.

Luís Roberto SBO em 16 de maio de 2014

A "copa das copas"......rsrs....certamente ficará mais sem graça, sofreu um grande desfalque. O normal na Copa mundial, seria os melhores jogadores à jogar, mostrar grandes talentos mundiais. É uma pena, agora inveja de homem prá homem é muito pior, acontece isso.

neil ferreira em 16 de maio de 2014

Seria o Romário dos hermanos ?

Marco em 15 de maio de 2014

Don Setti, quero a mesma campanha para o Nilmar, q é melhor q o Jô... Abs.

carlos nascimento em 15 de maio de 2014

(off topic) Ricardo, Nosso amigo saiu em férias, ficará fora do País até o dia 26, algum problema ? Descansar e passear com a patroa. Está nas Oropas.

carlos nascimento em 15 de maio de 2014

Ricardo, Salvo engano, a questão do Carlitos tem cunho disciplinar, ele andou quebrando cristais, o treinador argentino busca ter controle do grupo, é o chamado comando de vestiário. O caso do Tévez é idêntico ao do Romário em 2002, quando Felipe Scolari preferiu a união do Grupo, pois todos nós sabemos que o "baixinho" era desagregador. abraços. Acho uma tremenda frescura treinador fazer isso com um jogador raçudo, valente e com amor à camisa como Tévez. Há formas de se impor no vestiário sem eliminar o jogador do elenco.

Lean em 15 de maio de 2014

Nossa, essa notícia é importante hein? Agora minha vida vai mudar. É coluna esportiva isso? "Isso", ou seja, este blog, trata, sim, de futebol. Respeito é bom e eu gosto, OK?

Antoninho em 15 de maio de 2014

Entao me desculpe minha desatualizacao, me basei num amigo, q me garantiu q ele era reserva.

Antoninho em 15 de maio de 2014

Carlito,só jogou no Corinthians. Mas parece q os ingressos argentinos, já se esgotaram, para a copa. Mas concordo q o Sabella deveria convocar quem tem experiencia no futebol brasileiro como base. Já q estariam adaptado. Ele está jogando uma barbaridade na Juve, é só assistir às partidas. Você acha que 19 gols no campeonato italiano e mais 2 na temporada, com o duríssimo futebol praticado na península, é fácil?

Jose Almeida em 15 de maio de 2014

Carlito é mais jogador que Messi e Neymar juntos. Assistir os jogos com o Tevez no Corinthians, City ou Juventus sempre foi certeza de espetáculo e raça. A Copa fica mais pobre sem Carlitos.

Sancho Pança em 15 de maio de 2014

Não é o primeiro caso, nem haverá de ser o ultimo. REDONDO estava comendo a bola pelo Real Madrid e era considerado por torcedores e especialistas o melhor libero em atividade, participara da Copa de 1994, porém acabou vetado em 1998 porque recusou-se a cortar os cabelos longos. Encerrou a carreira no Milan.

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