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Pep Guardiola fala a jornalistas no estádio Santiago Bernabéu, em Madri: em catalão, por favor (Foto: Real Madrid)

Um dos melhores técnicos do mundo, Pep Guardiola também não faria feio em uma competição entre poliglotas.

Nas entrevistas coletivas que concedia quando comandava o Barcelona (2008-2012), naquele que entrou para história como o melhor período da história do clube, o treinador nascido há 43 anos em Santpedor, interior da Catalunha, não raro dava um show.

Respondia a uma pergunta em seu idioma nativo, o catalão, em seguida tecendo algum comentário em espanhol. Instantes depois recorria, sem hesitar, ao italiano – como jogador, atuou por dois anos no Brescia – ou ao inglês para rebater observações de jornalistas estrangeiros.

No entanto, o momento mais glorioso a contribuir para sua fama de talentoso poliglota ocorreu em julho do ano passado, quando surpreendeu a todos ao responder em alemão, com notável desenvoltura, às perguntas que lhe dirigiram já na primeira entrevista coletiva como técnico de seu novo time, o Bayern de Munique. Falei deste episódio neste post.

Poliglota, mas sem – nunca – abrir mão do catalão

Todo este repertório, porém, parece não abalar nenhum fiapo do orgulho independentista catalão de Guardiola.

Separatista assumido – embora tenha defendido a seleção espanhola enquanto jogador -, ele em 2012 chegou a aparecer em vídeo apoiando oficialmente a campanha pela transformação da Catalunha, comunidade autônoma pertencente à Espanha, em um país. “Desde Nova York, aqui vocês têm mais um”, dizia o técnico, que à época passava um ano sabático na Grande Maçã.

E na quarta-feira, dia da derrota por 1 a 0 de seu Bayern para o eterno rival de seu ex-clube, o Real Madrid, Pep voltou a dar seu recado soberanista.

Estava nos vestiários do estádio Santiago Bernabéu, em Madri, do espanholíssimo time da casa, representando uma entidade alemã, o Bayern. Até que um repórter da Catalunya Radio, Francesc Garriga, afirmou, antes de formular questão a Guardiola, que sofrera represália da UEFA por ter lhe perguntado em catalão na entrevista coletiva anterior, e que usaria o espanhol.

Ao escutar a explicação, o treinador não arredou pé e comprou a briga: “você está enganado. Pode, sim, me perguntar em catalão”.

O jornalista atendeu a seu pedido, em seguida traduzindo sua pergunta ao castelhano. Pep, é claro, utilizou o mesmo método “tecla sap” para retrucar. Está no vídeo:

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13 Comentários

Tattiana em 04 de julho de 2014

Os catalães são chatos com esse história de idioma (É idioma mesmo ou é dialeto? sabe-se lá...). Quantas pessoas no mundo falam catalão? E quantas falam espanhol/castelhano? Não vejo os Bascos e os Galegos com essa palhaçada de querem obrigar a todos falar um dialeto local desconhecido pelo resto da humanidade. É, claro, um idioma, derivado do latim. Não é dialeto, não. Falam catalão cerca de 8 milhões de pessoas na Espanha, num pedacinho do sul da França e em Andorra. Nas Ilhas Baleares há idiomas aparentados. Falam espanhol cerca de 480 milhões de pessoas.

carlos nascimento em 30 de abril de 2014

Ricardo, Outra soberba vai à nocaute, dessa feita o "arrogante" técnico do CHELSEA,o seu amigo português Mourinho, ex. Real Madrid, levou um chocolate, em pleno Stamford Bridge - Atlético de Madrid 3 x 1 Chelsea - maravilha, o futebol covarde de resultados dessa vez perdeu, a coragem de atacar venceu. Para comparativos, busquem entender, o orçamento do Chelsea e 10 vezes mais caro que o do Atlético de Madrid, o salário do Mourinho paga 50% da folha do Atlético...rs.rs.rs.... assim é feito o jogo dos virtuosos, uns são polidos e poliglotas, outros soberbos, nada muda, lá e cá e tudo farinha do mesmo saco, nem sempre a meritocracia vence. Anotem ai, o português vai jogar a culpa no elenco, cabeças irão rolar, as peças serão trocadas. Quem diria, Diego Simeoni, o argentino "maluco", chega a sua primeira decisão de Liga dos Campeões da Europa,com méritos, dirigindo um time médio, PARABÉNS. "Meu amigo"? Você tá brincando! Não suporto o Mourinho, achei a passagem dele pelo Real Madrid desastrosa não apenas do ponto de vista do futebol, mas de jogar um grande clube na vala comum de ofensas, de reclamações fajutas sobre arbitragens, de falta de cavalheirismo para com adversários. Alguém que enfia o dedo no olho do auxiliar técnico do adversário, como ele fez com o recém-falecido Tito Vilanova, deve ser respeitado? Ele não conseguiu impor padrão de jogo algum ao Real Madrid e, pelos poucos títulos conquistados e pelo monte de encrencas que arrumou, jamais a meu ver justificou sua contratação. Conseguiu até dividir a torcida e o clube entre gente pró e contra ele. É arrogante, grosseiro e menos bom do que ele imagina. Quanto ao Simeone, defensor a ferro e fogo dos times em que jogou -- e até desleal com a camisa da Argentina --, tem se mostrado um grande técnico e um líder. Ele logo estará na faixa de remuneração estratosférica em que se situam pouquíssimos treinadores. O Atlético não conseguirá segurá-lo por muito tempo. Sua limitação, por ora, é o idioma, mas nisso ele é inteligente e dá um jeito. Abraço

Fernando Costa em 30 de abril de 2014

O Real Madri já respondeu: 5 a zero no catalão.

carlos nascimento em 30 de abril de 2014

Ricardo, Perdoe-me pela réplica, uma coisa é dirigir o Barcelona tendo em seu elenco um conjunto de jogadores homogêneos em suas qualidades - Xavi, Iniesta, Messi, Puyol, Piquet, Sérgio, Fàbregas,etc, etc, - cuja cultura de base está sedimentada no controle de bola, aliando deslocamentos e velocidade, fica fácil para qualquer treinador conquistar títulos, Pep Guardiola foi criado na base do Clube Catalão, fazia parte daquela cultura e engrenagem, bastou inflamar o carrossel, colocar aquela pitada de nacionalismo, os resultados aconteceram. Vamos ver ele ter de montar isso, tendo de selecionar e fazer as peças se encaixarem, o Bayern terá de fazer reformulações, Robben já não tem a mesma vitalidade, a zaga alemã é fraca, ficou provada no jogo de ontem, a revelação Toni Kroos falhou, jogou muito mal, Philipp Lahm o grande capitão,não é mais nenhuma criança, além do banco de reservas ser abaixo da média dos titulares, é hora de provar se de fato ele fez o Barcelona ser vitorioso,o conjunto do Barça tornou ele um treinador vencedor. É hora da onça beber água, a pressão vai ser dura, o "Kaiser" - Franz Beckenbauer - mandou ver ontem, cobrou mudanças radicais. abraçõs. (p.s)- vendo as falhas da defesa alemã ontem, logo eles que possuem cultura de marcação, fiquei imaginando o sufoco que a nossa Seleção brasileira vai ter de enfrentar na Copa do mundo, vai ser um......-

carlos nascimento em 30 de abril de 2014

Ricardo, Primeiro parabéns pela vitória do seu Madrid, não é todo dia que se aplica goleada em time alemão. Vamos ao cerne da questão, ou seja, falemos de Josep Guardiola, "o treinador poliglota". Andei dando uns pitacos sobre a estratégia de marketing pessoal que o Pep tem introduzido em sua carreira, criando aquela atmosfera de autossuficiência - me lembra o velho Luxemburgo, em seus tempos de áurea, até cair do cavalo - a paulada veio rápida, o chocolate que ele tomou ontem, fará com que reflita em seu modelo de estratégia. Um bom conselho...simplicidade e modéstia, ressaltarão as demais virtudes, ou então que ele siga à carreira de línguas estrangeiras e passe a falar com fluência o mandarim....aí ele será imbatível como o melhor treinador...poliglota. No futebol para alcançar vitórias é necessário a soma de vários fatores, não basta apenas teorias, o emocional é decisivo, o Real Madrid sob o comando de Carlo Ancelotti, deu uma aula de como se impor emocionalmente, atuando no campo do adversário, com o maravilhoso estádio alemão - LOTADO -, diante de toda a fleuma e garra alemã, partiu pra cima, o que o Ancelotti fez com o emocional do grupo de positivo, o Pep fez de negativo, os jogadores do Bayern entraram estranhamente contidos para uma decisão de alto grau de magnitude, essa foi a diferença gritante. Fica a lição, clara, o Bayern precisa de líderes que tenham a capacidade de conciliar as virtudes em prol do coletivo, não basta ser culto, tem de saber INSPIRAR. abraços. Obrigado pelos parabéns. Acho, caro Carlos, que o extraordinário trabalho já realizado pelo Guardiola não pode ser descartado por causa de um único resultado catastrófico. Ele já provou suficientemente o quanto entende de futebol, inclusive de motivação, não apenas no Barça -- foi o mais vitorioso treinador da história do clube, como você sabe --, mas no próprio Bayern. Um abração

carlos nascimento em 28 de abril de 2014

Ricardo, O torcedor espanhol ou catalão - vá saber - precisa tomar aulas de civilidade, em pleno século XXI, cultuam atitudes do tempo das cavernas, continuam atirando bananas em jogadores negros, Neymar e agora Daniel Alves, sofreram ataques covardes de racismo. Coisa feia, grotesca, isso ocorre em País chamado de 1o. mundo, imagino à formação dessa turma.

carlos nascimento em 27 de abril de 2014

Ricardo, Acabei deixando de comentar abaixo, o registro da morte do Tito Vilanova, tão jovem, uma doença fatal (cancer) o levou. Ele era muito querido em Barcelona. abraços.

carlos nascimento em 27 de abril de 2014

Ricardo, Espero que Guardiola não tenha surtos iguais aos de Mourinho, sabemos de seu nível intelectual, não pode ficar mascarado, forçando contextos, penso que a simplicidade seja a melhor tática para realçar as suas qualidades virtuosas. Apesar de não ter me aprofundado nas questões políticas da Espanha, creio que a divisão do Estado (Espanha/Catalunha) trará desvantagens, pois os orçamentos públicos teriam elevados gastos com funcionalismo, etc. Seria como se o Estado de São Paulo quisesse se tornar independente do Brasil, por sua importância econômica,entretanto, São Paulo com sua diversidade populacional, é a mais brasileira de todas as capitais. Rs, me corrija se eu estiver enganado ? abraços.

André Martins de Andrade Jr. em 25 de abril de 2014

Em terra que falta pão todo mundo grita e ninguém tem razão.

José Mário em 25 de abril de 2014

Que indústrias a Catalunha tem? A maioria são multinacionais. Elas não querem nem pensar em sair do mercado espanhol e europeu. Fica essa coisinha chata de Separatismo! Se eles se acham tão importantes que peguem em armas e se tornem realmente uma nação livre. A Catalunha é a região mais industrializada da Espanha.

wilson em 25 de abril de 2014

E stas esquisitices são verdadeiros atos patéticos, Já passou para a cabeça do rapaz se os espanhóis só lhe derem atenção se falar em espanhol? Ortega y Gasset tinha um comentário sobre este assunto: Um homem falando em varias línguas é uma palhaçada.

Emil em 25 de abril de 2014

O alemão dele é somente sofrível,falta muito para falar com desenvoltura, não tem vocabulário no idioma.Catalunha já tem certa independência,é a região mais industrializado do país e vende para quem? A Espanha. Bruxellas já avisou se separar da Espanha não vai aceitar o "novo" país. Vai ficar sem benefícios que a Espanha tem hoje. Só 40% dos "catalhuneses" são a favor da separação. Europa se unindo e estes "francatalão se metendo a criar novos cargos políticos,mais administrações e funcionários públicos etc.etc.etc.

joao batista de souza em 24 de abril de 2014

Se a moda pega por estas bandas, já imaginou algumas figuraças se expressando no mais castiço tupi-guarani e o povaréu babando de alegria, eu, hem.

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