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O alemão naturalizado ganês Kevin-Prince Boateng em ação antirracista: em jogo pelo Milan ocorrido no ano passado, ele chutou a bola para longe e convocou o time a deixar o campo (Foto: AP)

Pelo fator surpresa e irreverência, a atitude do jogador Daniel Alves na partida do último sábado de seu Barcelona contra o Villarreal, de comer uma banana atirada em sua direção por racistas, foi sem dúvida a reação a ofensas do gênero que obteve mais repercussão até hoje.

Mas o celebrado ato do lateral direito brasileiro, seguindo ideia de Neymar, não foi a primeira demonstração de rebeldia antirracista de atletas em pleno gramado.

Como sabemos, o histórico de ódio racial remonta a décadas atrás e, por mais incrível e repugnante que pareça, e a despeito de campanhas promovidas por jogadores, entidades, marcas de artigos esportivos e governos, vem aumentando nos últimos anos.

Sobretudo na Europa – com especial incidência na Itália -, embora a moda esteja pegando até no Brasil, com episódios como os de ataques ao árbitro Márcio Chagas da Silva, ocorrido em Bento Gonçalves (RS), e no vizinho Peru, cenário de tenebrosos insultos ao cruzeirense Tinga.

A seguir, vídeos do YouTube que repassam alguns dos episódios em que os jogadores não apenas lamentaram a situação, cabisbaixos, mas tomaram uma atitude:

*Marco Zoro (Messina, novembro de 2005)

Segundo o atleta marfinense Marco Zoro, em praticamente cada um dos jogos que disputou nos quatro anos que defendeu o time do Messina, da Sicília, na Itália, chegaram a seus ouvidos xingamentos e provocações racistas.

Sua paciência esgotou em enfrentamento contra a Inter de Milão, cujos torcedores, que eram visitantes, não paravam de lhe ofender. “Não pude aguentar mais”, conta Zoro, hoje defendendo uma equipe grega, na entrevista do vídeo abaixo. “O que fiz foi instintivo, não podia me concentrar, e tive que pegar a bola”.

Acabou persuadido por jogadores rivais, entre os quais o brasileiro Adriano, da tentativa de paralisar a partida. Mas o barulho em torno do ocorrido foi tremendo.

*Samuel Eto’o (Barcelona, fevereiro de 2006)

¡No más, no más!”, gritou repetidamente o grande centroavante camaronês Samuel Eto’o ao árbitro de confronto entre o Barça, time que então defendia, e o Zaragoza, que jogava em casa.

A seguir, a TV mostra imagens do craque, posteriormente transferido ao britânico Chelsea, exibindo com orgulho a cor de sua pele aos torcedores adversários, e xingando-os de hijos de puta.

* Kevin-Prince Boateng (Milan, janeiro de 2013)

Foi a primeira vez que a rebeldia se concretizou em fim de jogo. Cansado do que ele e outros companheiros negros ou de pele mais escura do Milan ouviam de apoiadores do minúsculo Pro Patria, da Itália, Boateng, que nasceu na Alemanha mas é naturalizado ganense, “isolou” a bola para longe e conclamou sua equipe a se retirar de campo.

O mais tarde contratado do Schalke 04 alemão foi atendido, e posteriormente apoiado pela classe futebolística.

*Kévin Constant (Milan, julho de 2013)

Após escutar cantos racistas vindos da torcida do Sassuolo, da Itália, o jogador, nascido na República da Guiné, chuta uma bola em direção às arquibancadas e simplesmente deixa o gramado.

Tecnicamente, ele foi apenas substituído e tudo voltou ao normal, mas o árbitro da partida ordenou ao locutor do estádio que avisasse que o evento seria suspendido se as ofensas persistissem.

https://youtu.be/iD0YXBlEbXQ

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