Mesmo os aficionados de touradas, na Espanha e em outros países, detestam e costumam vaiar os picadores, os protagonistas da corrida encarregados de, com espécie de lanças pontiagudas, espetar o cocoruto do touro, ali onde se concentra uma formidável massa muscular que impele seu poderoso pescoço, com o objetivo de fazê-lo gradativamente baixar a cabeça (o que ameaça menos o toureiro) e enfraquecer suas forças.

Fiz o pequeno vídeo abaixo no final da temporada taurina de Barcelona, em julho de 2010. [As touradas seriam proibidas por lei do Parlamento catalão justamente no mês seguinte, entrando em vigor em 2012, no âmbito de uma “Lei de Proteção aos Animais”. O propósito da lei foi, na verdade, uma forma de  os nacionalistas e separatistas tentar diferenciar a Catalunha do restante da Espanha, uma vez que ali continua existindo, e estimulada, uma prática com touros denominada correbous, também de grande crueldade: coloca-se um entre os chifres dos touros um dispositivo de metal com combustível, ateia-se fogo e o animal fica correndo pelas ruas durante longos minutos com uma espécie de chapéu em chamas].

O vídeo mostra os picadores — por alguma razão, quase sempre barrigudos — e outros participantes da corrida aquecendo seus cavalos antes de entrar na arena.

Cada toureiro tem em sua equipe dois picadores, e em cada corrida atuam três toureiros, cada um encarrego de enfrentar dois touros, alternadamente.

Veja o vídeo:

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2 Comentários

Joe em 17 de dezembro de 2010

Caro Setti, embora não tenha ido a nenhuma Plaza de Toros, assisti a algumas touradas pela televisão, movido pela curiosidade em entender como podem os espanhóis gostar desse espetáculo. Para mim, um triste espetáculo. O touro não tem nenhuma chance, os picadores o sangram até que perca as forças, depois os banderilleros continuam com a tortura, espetando suas banderillas e auxiliando no sangramento. O matador mesmo, somente para o gran-finale: um animal fraco, que mal consegue ficar em pé, é cruelmente atravessado pela espada. Medieval demais para o meu gosto. Felizmente esse espetáculo deixará de existir na Catalunha e, algum dia, em toda a Espanha. Caro Joe, Eu gostava de touradas, me surpreendi comigo mesmo ao ir à primeira e gostar. Por uma razão: num mundo "fake" como o nosso, fake, virtual, etc, aquilo é algo real. Você, ao entrar numa grande arena -- no caso, a plaza de tgoros de Las Ventas, a maior do mundo -- sente um cheiro orgânico, estranho e penetrante, de sangue, urina, de bicho. Durante a tourada, escuta o bufar do touro, lá de longe, onde está, tal é o silêncio que fazem os que entendem do ramo. Por vezes, com o touro intacto, sem ferimento algum, o toureiro o aguarda à saida do "toril" ajoelhado no chão, "armado" apenas com sua capa e sua astúcia. Com o tempo, fui achando tudo aquilo realmente um engodo brutal e cruel, embora a meu ver mais cruel seja a forma de VIVER dos bichos cuja carne consumimos. De toda maneira, só para lembrar a você, não é apenas na Espanha que existe paixão pelas touradas: nada menos do que 60 cidades da França têm touradas, que existem, entre outros países, no México (grande público), no Peru, no Equador, na Colômbia etc. Na Espanha, duvido que jamais acabe. Os espanhóis propriamente ditos, contraditoriamente, amam os touros, embora os matem. A bandeira espanhola com a silhueta do touro negro é vista no país inteiro, excetuadas regiões como a Catalunha, o País Basco e, em alguma medida, a Galícia. E ainda existem, mundo afora, as corridas de cães -- todos ficam estropiados --, as brigas de galo, as brigas de cães ferozes que movimentam um dinheirão (e fazem os cães sofrerem e morrerem), e por aí vai. O bicho-homem é fogo. Abraços

Tim em 17 de dezembro de 2010

Parabéns aos catalães! Conseguem de uma vez só rejeitar um símbolo espanhol e uma monstruosidade. E pobre dos espanhóis! Como defender essa barbárie, ainda mais como símbolo nacional?!

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