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A frágil democracia brasileira e a deterioração moral do nosso país num “Vamos Sair da Crise”, da TV Gazeta, em 1988

Apresentado por Alexandre Machado na TV Gazeta, o programa de debates “Vamos Sair da Crise” de 28 de junho de 1988 abordou a então jovem e fragilíssima democracia brasileira, as eleições municipais de 1988 e presidenciais de 1989 e, sobretudo, da falência moral do sistema político brasileiro. Fui um dos convidados ao lado dos jornalistas Gilberto Dimenstein, que então lançava o livro “A República dos Padrinhos” e Clóvis Rossi (Folha de S. Paulo).

“A matéria-prima da crise brasileira é de alto poder explosivo ao longo da história: a frustração”, respondi, perguntado sobre o que mais motivava a nossa crise. “O acúmulo de frustrações tem sido a vida do cidadão brasileiro”.

O encontro rendeu uma boa conversa, durante a qual vieram à tona dados espantosos, como um apresentado por Dimenstein, segundo o qual de cada dez cruzados – a moeda em vigor em 1988 – destinados a programas sociais daquela época no Brasil, oito se perdiam pelo caminho. Ele, aliás, apontou o tráfico de influências como um dos pilares da degradação moral e política nacional, e cravou: “o nível de vida na Paraíba é um pouco melhor do que na Etiópia”.

Democracia e eleições

Também discorremos sobre as várias maneiras de sabotar a democracia praticadas em terras brasileiras naquele momento. “Estas elites estão querendo fazer no Brasil uma democracia sui generis: sem povo e sem voto”, afirmei, apontando, ainda, absurdos defendidos por muitos como a “coincidência de mandato”, uma ideia infundada segundo a qual todas as eleições deveriam ocorrer simultaneamente.

Os prognósticos sobre as eleições de 1988 e 1989 dominaram o debate a partir de certo ponto. Hoje, soa profético meu palpite sobre Ulysses Guimarães que, por “ser uma esfinge, indecifrável”, estava cometendo “um grave erro estratégico” e, por isso, seria vítima do “rolo compressor das eleições diretas”. Também coloquei em dúvida o potencial eleitoral de Leonel Brizola, o classificando como “um populista, um caudilho”, que governaria “aos beijos e abraços com as Forças Armadas”, e “com traços de autoritarismo”, se eleito. Ressaltei, ainda, a qualidade do candidato tucano Mário Covas, mas alertei que “o PSDB ainda precisa dizer a que veio”.

Esta é a íntegra do programa.

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