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No “Roda Viva” com Luiz Carlos Santos, ministro de FHC: “reeleição é corretíssimo para o avanço democrático”

Ministro extraordinário para a coordenação de assuntos políticos do governo de Fernando Henrique Cardoso e conhecido como um dos articuladores da emenda da reeleição, Luiz Carlos Santos (1932-2013) foi o entrevistado do “Roda Viva” em 24 de junho de 1996, quando o presidente exercia seu primeiro mandato. À época comandando a revista Playboy, participei da bancada de entrevistadores, ao lado de Fernão Mesquita (Jornal da Tarde), Luciano Suassuna (Istoé), Isabel Raupp (TV Cultura), Fernando Canzian (Folha de S. Paulo) e Arnaldo Bloch (O Globo).

Falamos sobre, entre outros assuntos, a falta de capacidade do governo  em explicar à sociedade as razões e os detalhes de iniciativas polêmicas e/ou “impopulares”, como a reforma da previdência e a privatização, e os pontos que o ministro considerava básicos para realizar a tão esperada – até hoje, diga-se – reforma política. “Temos uma dificuldade, primeiro, da organização da representação”, disse Santos. “No que era o estado de Goiás, hoje você tem nove senadores: três em Goiás, três em Tocantins e três em Brasília; em São Paulo, tem três. Este desequilíbrio é um fator adicional de dificuldade, que coloca em risco o próprio pacto federativo”.

Lei de imprensa e globalização

Também indaguei o ministro sobre sua opinião a respeito da existência ou não de uma lei específica para a imprensa, assunto que, duas décadas depois, ainda dá pano para manga. Ele começou defendendo a liberdade de imprensa como um dos pilares da democracia, mas em seguida emendou: “os organismos e entidades representativos da imprensa querem uma lei de imprensa”. Para Santos, “de qualquer maneira, você tem que disciplinar  relação com a imprensa”.

No decorrer do programa, o entrevistado também bateu na tecla do desgaste do sistema político-partidário brasileiro, classificando-o como “literalmente esgotado, a ponto de que um cidadão [Fernando Collor de Mello] se elegeu presidente da República inventando um partido”. O ministro também respondeu sobre o panorama econômico. “Não há condições do Brasil receber investimento sem instabilidade”, opinou. “E como não há milagre, você tem estas duas condições: juros altos e a sobrevalorização da moeda”. Ainda segundo ele, “não há nenhuma saída” fora da globalização, assunto muito em voga à época da entrevista, lamentando pelo fato de a Constituição de 1988 não favorecer o Brasil neste aspecto. “Na Constituição de 1988, se perdeu uma oportunidade imensa de colocar o país em sintonia com o mundo civilizado, organizado e que funciona”.

Reeleição e FHC

Santos também defendeu a emenda da reeleição, então ainda em discussão no cardápio eleitoral nacional, e da qual seria um dos principais articuladores. “Reeleição, em tese, é corretíssimo para o avanço democrático e o aperfeiçoamento político”, afirmou. “Dá a oportunidade ao povo de reconduzir quem está no cargo com bom desempenho. É um dado positivo e faz parte desta reforma política”.

Por fim, ele teceu elogios a FHC. “É muito difícil ser chefe de Estado e de governo; um desgaste brutal”, afirmou. “O presidente Fernando Henrique representa extraordinariamente bem o Brasil fora como chefe de Estado. Ao mesmo tempo, ele tem que ser chefe de governo dentro deste modelo esgotado, ineficiente, que o país detém”.

(Assista à íntegra do programa aqui)

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