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UM DOS HOMENS MAIS BRILHANTES DO BRASIL: Roberto Campos diz, numa entrevista em 1997, que os monopólios, como o da Petrobras, são “pornografia econômica”

Economista, diplomata, ex-ministro, ex-senador e ex-deputado, um dos homens mais brilhantes do Brasil no século XX, ferrenho defensor do liberalismo econômico e da livre iniciativa. Este era Roberto Campos, morto em 2001, aos 84 anos.

Nesta entrevista no “Roda Viva”, da TV Cultura, que foi ao ar em 5 de maio de 1997, ele ataca com vigor os monopólios estatais, que qualifica como “pornografia econômica”. Participei da bancada de entrevistadores, ao lado de Ricardo Galuppo (Exame), Ottoni Fernandes (Invest News), Carlos Alberto Sardenberg (Folha de S. Paulo), José Paulo Kupfer (Zero Hora) e Milton Gamez (O Globo). A apresentação foi de Matinas Suzuki. Na época, eu era diretor de Redação da revista Playboy e colaborador de diferentes jornais como articulista político

Por aí você pode imaginar o que vem ao longo deste “Roda Viva” com aquele que setores de esquerda, depreciativamente, chamava de “Bob Fields”, por estar supostamente a serviço dos interesses dos Estados Unidos — acusação calhorda utilizada, aqui e ali, quando faltam argumentos para discutir com alguém com a lucidez e o brilho de Roberto Campos.

Por ocasião da entrevista, Campos era deputado federal pelo PP do Rio de Janeiro. Classificou-se como “neoconservador”, chamou a Constituição de 1988, que assinou “contrangido”, de “aberração” e “canto do cisne no nacional-populismo”. Na conversa, não faltaram frases de efeito como “nunca se deve subsestimar a burrice humana”.

Perguntei-lhe sobre sua posição em relação à privatização da Petrobras e se tal projeto era viável. “Eu seria favor, em tese, da privatição da Petrobras”, repspondeu. “Mas, como você indicou, não parece algo realista, no momento. Tanto pelas dimensões da empresa, quanto pelo fato de que ela tem que ser sujeita a um notável regime de emagrecimento antes de ser vendável. A Petrobras tem mais o menos o dobro do funcionalismo que uma empresa deste tipo precisaria”.

Também indaguei o entrevistado sobre sua mudança, como colunista, do Estadão, jornal cuja linha ideológica sempre coincidiu mais com a sua, para a Folha. “Eu não me dei conta de minha importância para o Estado; recebi uma solicitação da Folha, e resolvi fazê-lo apenas para a parte econômica”, respondeu. Segundo ele, sua ideia era poder colaborar simultaneamente com ambos, mas optou pela Folha, porque o concorrente exigia exclusividade.

(Assista à íntegra do programa aqui)

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1 comentário

  • Paulo

    Muito bom o vídeo Ricardo, uma grande perda não ter Roberto atualmente. Assisti todos os roda viva postado por você, mas, você teria o Roda Viva que tem a Miriam Leitão entre outros? Esse tem alguns trechos mas não tem completo. Grande Abraço!

    Caro Paulo, obrigado por sua gentileza em escrever. Infelizmente não tenho esse programa a que você se refere. Desculpe! Um abraço

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