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História na veia: entrevistando no “Roda Viva” o Dr. Ulysses. Em 1986, no auge de seu prestígio, reeleito deputado com 600 mil votos, ele seria presidente da Constituinte dali a dois meses

Este programa “Roda Viva” da TV Cultura é de 17 de novembro de 1986 — lá se vão décadas. Na época editor regional do (infelizmente) extinto Jornal do Brasil em São Paulo, eu estava entre os entrevistadores, ao lado de Clóvis Rossi (Folha de S. Paulo/TV Cultura), Roberto Lopes (Folha de S. Paulo), meu saudosos amigos João Vitor Strauss (da extinta revista Afinal) e Jorge Escosteguy (IstoÉ) e Carlos Eduardo Lins da Silva (Folha de S. Paulo). A apresentação era de Rodolfo Gamberini.

O deputado Ulysses Guimarães, o “Dr. Ulysses”, o “Senhor Diretas” — uma dessas figuras venerandas e desassombradas de Grande Brasileiro que tanta falta faz hoje ao país — emergiu das eleições com uma votação espetacular para deputado federal (590.873 votos), presidia o PMDB e iria presidir, a partir do dia 1º de fevereiro de 1987, a Assembleia Nacional Constituinte.

As eleições de 1986 tornaram a bancada de seu partido a maior da Câmara dos Deputados e do Senado, e arrebataram para o PMDB 21 dos então 22 governadores.

No programa, e perguntei a ele, entre outros assuntos, sobre dois temas:

-Como seria tratado na questão a odiosa instituição do decreto-lei, herança da ditadura que permitia ao presidente da República praticamente governar com a caneta. Ulysses respondeu que as constituições de outros países, como a Itália, contemplam a modalidade, mas ressaltou que “o que me parece inadmissível é o decreto-lei como está na Constituição atual, em que aprova-se por recurso de prazo”, prometendo “meditar” sobre o assunto.

-Idem sobre a representação desigual e injusta das bancadas estaduais na Câmara dos Deputados, em detrimento dos grandes Estados, principalmente São Paulo. (Não citei este dado, mas o Estado, com 22% da população do país, tem apenas 12% dos deputados, que teoricamente representam o povo.). “Milhares de paulistas ficam órfãos da representatividade”, disse o entrevistado, apontando a influência das bancadas do Norte e do Nordeste como culpadas desta disparidade e afirmando que seu partido precisa “cogitar seriamente” mudanças na matéria.

De quebra, foi possível dirigir a mesma pergunta do item dois a dois senadores recém-eleitos pelo então PMDB com enorme votação — Mário Covas e Fernando Henrique Cardoso.

(Assista à íntegra do programa aqui)

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