Viegas pode substituir Amorim, como dissemos em primeira mão há dois meses

Pouco importa a opinião (negativa) do colunista sobre o chanceler Celso Amorim e a política externa que ele colaborou para o governo Lula desenvolver. O fato é que o desconvite de última hora de Lula para que o chanceler não comparecesse à reunião do G-20 em Seul constitui uma descortesia inteiramente desnecessária para um colaborador leal do presidente.

Além disso, naturalmente, sinaliza que Amorim não tem qualquer chance de se manter no cargo no governo da presidente Dilma Rousseff, que, aliás, como se sabe, está em Seul com Lula.

Este aspecto foi salientado na Folha de S. Paulo de hoje pelo excelente repórter Clóvis Rossi, acrescido da informação de que o episódio também pode ter queimado as chances de que o secretário-geral do Itamaraty, o vice-chanceler Antonio Patriota. Rossi acrescenta ainda que a tese da fritura é reforçada pelo “fato de que dois nomes começaram ontem (quarta-feira) a aparecer na bolsa de apostas para a chancelaria”. E menciona o ministro da Defesa, Nelson Jobim, e o embaixador brasileiro na Itália, José Viegas.

Pedindo desculpas ao amigo Rossi, este blog modestamente lembra que já no seu segundo dia pós-estréia, 14 de setembro, anunciava que o embaixador Viegas estava sendo cogitado para ser chanceler de Dilma, caso eleita.

Repito o post e, no final, acrescendo o link para quem quiser conferir:

Amigos do embaixador José Viegas vêm aconselhando o ex-ministro da Defesa e atual representante do Brasil em Roma a submergir até o final do processo eleitoral.

É que a provável presidente Dilma Rousseff cogita de colocá-lo à frente do Itamaraty, sucedendo ao ministro Celso Amorim, segundo este blog apurou de fonte segura.

Viegas tem uma velha história com o posto. Quando Lula se elegeu em 2002, convidou-o para ser o chanceler. Viegas respondeu que, se lhe fosse dado escolher, preferia ocupar outro Ministério, o da Defesa, que acabou efetivamente exercendo de 2003 a 2004.

Na mesma conversa, Viegas sugeriu a Lula o nome de Amorim para o Ministério de Relações Exteriores – cargo que o então embaixador já ocupara no governo do presidente Itamar Franco, de 1993 a 1995.

Diplomata de carreira, Viegas, nascido há 67 anos em Campo Grande (MS), percorreu rica trajetória no Itamaraty, tendo servido, em diferentes postos, em Havana, Paris e Nova York. Como embaixador, antes de Roma, representou o Brasil em Copenhague, Lima, Moscou e Madri.

O link do post original está aqui.

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Nenhum comentário

  • Reynaldo-BH

    Setti, prezado jornalista.
    Não tenho sua finesse e entendimento do mundo. Certamente por isso você é um opinion maker e eu me basto como um “comment maker”! rsrsrs
    Se há alguém, para além de Lula, Zé Dirceu e Dilma, a quem devoto verdadeiro ASCO é o megalonanico Celso Amoral!
    Figurinha desprezível! Do tamanho moral da própria estatura física. Ou menos!
    Um puxa-saco de carteirinha! Um tiranete odiado pelos pares! Um chanceler que aceitou conviver com Marco Aurélio Tártaro! Um capacho que preparou o show para Lula defender imbecilidades em nome do Brasil, me envergonhando como brasileiro! Como explicar em Portugal, Espanha e USA (países que viajo a trabalho) o episódio de Cuba, Irã, Líbia, venezuela, Miamar entre outros? Como justificar que eles – Amoral à frente! – não ME representavam nem ao povo brasileiro? Como desculpar o misunderstanding PROPOSITAL que transformou a política externa de um PAÍS em política de propaganda de uma facção no poder? aos outros é dado a desculpa da ignorância e despreparo. Ao megalonanico nem isto. Diplomata de carreira foi servil e humilhantemente cordato com as diatribes dos que se julgavam dono do país! Assim, sinto maldosamente uma ponta de satisfação em ver NULIDADES e vendidos ao poder, serem descaratados como lenço de papel após usados! (Fui politicamente correto!) Sorry, Setti. Mas, hoje o mundo parece um pouco mais justo!

    Caro Reynaldo, você é um opinion maker também, na
    medida em que publica seus fundamentados comentários, aqui e certamente em outros blogs.

    E também não tenho qualquer apreço pelo chanceler Celso Amorim e por suas diretrizes.

    Abração e obrigado.

  • Fernanda

    Espero sinceramente que essa seja uma boa notícia, caro Setti…não me envergonho de dizer que não faço a mínima ideia de quem seja Viegas e tampouco conheço sua postura acerca das relações internacionais, mas ouso afirmar que pior que Celso Amorim ele não pode ser, não é possível…este último se mostrou um homem sem visão e sem bom senso, pois, mesmo sabendo que a grande maioria da população brasileira não aprecia figuras como Fidel Castro, Chavez, o Presidente do Irã, ainda assim insistia em manter relações para lá de amistosas com tais indivíduos. Essa “insistência” chegava às raias do desrespeito com o povo brasileiro, na minha humilde opinião…
    Já Nelson Jobim, a quem conheço melhor por sua carreira jurídica, não me parece a opção ideal… seu posicionamento verdadeiro acerca das “grandes” questões nunca ficou muito claro para mim…ele sempre “balançou” em favor do vento que se mostrasse mais favorável…
    Enfim, seja quem for que venha a ocupar o cargo de Amorim, que se comporte de maneira mais sensata e coerente…chega dessas aproximações estapafúrdias com ditadores!

    Grande abraço e parabéns mais uma vez por sua coluna sempre impecável!

    Obrigado pelo impecável, cara Fernanda. As informações que tenho sobre o embaixador Viegas são as melhores possíveis. E não creio que a política externa da presidente Dilma siga à risca a linha do antecessor.

    Esperança é a última que morre, não?

    Abraços

  • Marco M

    A saída desta nulidade certamente reduzirá as chances de o Brasil continuar repetidamente sendo alvo da chacota internacional que envergonha os Brasileiros minimamente informados.

    Ao contrário dos Lullistas que acham que “antes” o Brasil se humilhava e agora “dá as cartas” no cenário internacional, o que aconteceu foi simplesmente uma anedota de mau gosto.

    Por outro lado, me preocupa a tese de que “não há situação tão ruim que não possa piorar”. Não sou um otimista em relação ao governo Dillma, que não é melhor do que Lulla.

    Então você aderiu a uma das teses filosóficas profundas oriundas do pensador contemporâneo Tiririca, segundo a qual pior do que está, fica, sim…

    Eu prefiro esperar para julgar.

    Abraço

  • Markito-Pi

    Faço coro contigo e com o colega Reynaldo, logo abaixo. Nem pronuncio mais o nome do borrabotas chanceler.Espero que Viegas tome, logo, a mais necessária providencia: Mandar para o escambau a repulsiva figua de Samuel Pinheiro Guimarães. Do ministério do fuxico atual, e do Itamaraty, para sempre. É a eminencia parda mais caótica deste (des)governo.

  • carlos nascimento

    A decadência do Itamarati é o reflexo do nível do Senado Federal, com o conteúdo intelectual dos habitantes daquela casinha do terror, a sabatina aprova qualquer “megalonanico”, como foi o desastre desse “pintassilgo”.
    Saudades de um Paulo Brossard, Jarbas Passarinho, entre outros Senadores,que tinham nível intelectual léguas acima dos atuais.
    Dá nisso, nesse desastre vexatório,Venzuela, Honduras, Irã, Cuba, Bolivia e por ai vai.
    Eramos felizes com o Azeredo e não sabiamos.

  • Marco M

    É verdade, Ricardo. Confesso que as últimas duas eleições presidenciais me deixaram mais cético e descrente. Olhando os últimos 8 anos, cada vez que parecia que tínhamos chegado ao fundo do poço, eis que um novo abismo se abria e caíamos ainda mais, tudo com o olhar complacente e o apoio da maioria dos Brasileiros.
    O que dizer, então, de um governo que já começou com grandes escândalos antes mesmo da posse? Que cogita trazer de volta figuras nefastas que deveriam estar na cadeia? Que diz que vai fazer mais do mesmo, como se estivéssemos no caminho certo? Espero estar errado, mas…

  • Chico Lima

    Setti.
    Celso Amorim, de fato, foi bastante leal ao Governo Lula. Inclusive, em minha opinião, ele foi além de suas atribuições como Ministro das Relações Exteriores, entrando forte em “divididas” e sempre objetivando defender os princípios de Lula no tocante à política externa brasileira.
    Posso não concordar com sua posição em defesa do acordo nuclear firmado entre Brasil, Turquia e Irã; posso também não concordar com sua defesa em relação à cooperação que o Brasil tem dado para o desenvolvimento de Cuba nas áreas de transporte, infraestrutura e tecnologia; posso até suspeitar que Amorim foi indiferente (e até conivente) diante de países acusados de violação dos direitos humanos. No entanto, tenho que admitir que ele esteve sempre muito afinado com os discursos de Lula, ainda que os dois tenham se “trombado” algumas vezes (como no caso do encampamento da Petrobrás por parte do Governo Boliviano).
    Por isso tudo, acho que Lula não agiu bem em ter descartado Amorim da reunião do G20 em Seul.
    Com relação a Viegas, tenho cá minhas dúvidas se haveria tal grau de afinidade entre ele e Dilma. Me baseio no desgaste que Viegas teve quando foi Ministro da Defesa no Governo Lula.
    Dilma poderia ousar mais na escolha de seu ministério, trazendo pessoas inéditas e que tenham novas ideias. Eu penso que isso seria salutar ao país. Mas, eu compreendo que o PT vive uma “crise de nomes”. Mesmo estando no poder há tanto tempo, me parece que Dilma tem poucas opções em seu quadro.
    Abraço!

  • Renato Brito Alves

    Lula nunca teve noção de cortesia, nunca fez questão de ser cortês, só o é quando lhe convém, o que ele fez não me surpreende e, cá entre nós, o Amorim já vai tarde.
    Aliás, Lula já vai tarde!!!
    Abraços e bom feriado!!!

  • Reginaldo Gadelha

    lulla (explicando, só escrevo o nome desse sujeito em minúsculas para mostrar que não tenho nenhum respeito por ele, e com dois “ells” para não esquecer que ele aliou-se ao collor de mello) não é confiável, sempre foi assim, lulla não tem caráter.
    Por outro lado, a “fritura em óleo fervente” que o lulla está aplicando ao celso “megalonanico” amorim me faz muito feliz, já que esse sujeito teimava em chamar o lulla de “nosso líder”.
    Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
    As risadas são por conta da falsidade do lulla e pela fritura do megalonanico.
    Ação e reação…………………

  • Wilson Alves

    Por certo, bom mesmo era quando nosso Ministro das Relações Exteriores negociava descalço, já que seus sapatos ficavam na revista dos aeroportos…