“Vitória” de Sarney na indicação de Fux para o Supremo é lorota

Fux, o novo ministro do Supremo, e Asfor Rocha, o candidato que Sarney não emplacou

Embora o PMDB e o presidente do Senado, senador José Sarney (PMDB-AP), tenham aparecido como “patronos” da indicação, para ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), do ministro Luiz Fux, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a verdade é que o candidato dos sonhos do partido e do ex-presidente para substituto do ministro Eros Grau, que se aposentou em agosto, era o colega de Fux e ex-presidente do STJ Cesar Asfor Rocha.

Certo de que obteria a nomeação de Asfor Rocha para o Supremo, Sarney, para atender a seção fluminense do PMDB, que defendia o nome do carioca Fux, resolveu dar uma espécie de prêmio de consolação ao ministro e o designou presidente da comissão que produziria o anteprojeto do novo Código de Processo Civil para ser apresentado no Senado.

O que Sarney provavelmente não imaginava é que Fux cresceria no papel que recebeu — o projeto do Código de Processo feito pela comissão por ele dirigida foi elogiado de forma praticamente unânime por magistrados, pela Ordem dos Advogados e por setores da mídia, chegando, naturalmente, aos ouvidos da presidente Dilma. O poderoso chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, também se inclinou por Fux.

Enquanto isso, Asfor Rocha perdia terreno no campo político. Isso ocorreu já desde o final do governo Lula, quando o então presidente irritou-se com o que considerou lobby exagerado, inclusive de políticos do Nordeste, em favor do cearense Asfor Rocha.

A “vitória” que parte da mídia atribui a Sarney, na verdade, não aconteceu. É lorota.

Veja o currículo de Asfor Rocha e o de Fux.

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Nenhum comentário

  • Marco

    Caro R. Setti: Não achei muita diferença técnica. talvez em algum grau pelo CV.
    Abs.

    A diferença muito provavelmente não é técnica. Asfor Rocha é muito ligado a políticos, Fux fica na dele e trabalha, embora, claro, o governador Sérgio Cabral, entre outros, reivindiquem para si uma casquinha na nomeação porque o ministro é do Rio.