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O mausoléu de Kirchner: com 3 andares e 660 m2 de construção num terreno de 2 mil m2, kirchnerismo já tem local de peregrinação

Depois de sua arrasadora vitória eleitoral do último dia 23, quando obteve no primeiro turno mais de 53% dos votos dos eleitores contra apenas 16% do concorrente mais próximo, a presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, continua dando passos para consolidar a mitologia da “dinastia Kirchner”, iniciada por seu marido, Néstor Kirchner, quando eleito para a Casa Rosada em 2003.

Boa parte dos elementos para tal, inclusive alguns característicos da política argentina, como a relação com a morte, já estavam postos antes da vitória de Cristina, cuja foto aninhada nos braços de um Kirchner vitorioso, aparentemente sua preferida, está por toda parte.

Em todos os discursos, referências a “él”

A presidente, política de carreira (ex-deputada provincial, deputada federal e senadora) e eleita pela primeira vez para o cargo em 2007 após a morte súbita do marido, veste-se de luto desde então e passou praticamente o último ano recordando Kirchner em todos os seus discursos ou falas informais, sempre sem precisar citá-lo pelo nome mas referindo-se a él (“ele”), como se se tratasse de uma entidade.

Ao votar em Río Gallegos, terra natal de Kirchner e capital da província de Santa Cruz (que ele governou), na Patagônia, e mesmo antes de abertas as urnas, ela praticamente dedicou ao marido a vitória, dizendo:

— Eu sei que él, onde esteja, deve se sentir muito feliz por tudo o que ocorreu antes, e porque as pessoas vão votar e tudo está em paz e concórdia.

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A foto preferida: ainda primeira-dama, aninhada a “El Pingüino”

Quatro dias após a vitória, na quinta, 27, no exato primeiro aniversário da morte de El Pingüino (o pinguim), um dos bem-humorados apelidos com que os argentinos brindaram Kirchner, no caso por ter nascido na gelada Patagônia, ela esteve presente à inauguração do enorme mausoléu dedicado ao marido em sua cidade natal, financiado por amigos e admiradores e para onde foi transferido seu corpo, até então no cemitério da cidade.

O kirchnerismo, pois, dispõe de um local de peregrinação, como compete.

Sigla, a presidente já tem, há tempos, como toda líder que se preze: CFK, iniciais de seu nome completo.

Depois do livro, um provável filme

Livro autobiográfico oficial, também: La Presidenta, edulcorada entrevista sem perguntas incômodas conduzida pela jornalista kirchnerista Sandra Russo, e em cuja capa Cristina aparece, séria, com o tradicional luto e a mão esquerda no peito. Está em todas as listas de best-sellers desde seu lançamento, em agosto.

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“La Presidenta”: versão edulcorada da vida de Cristina

Se for necessário deter um partido ou um movimento dentro da enorme, confusa e disparatada salada ideológica que é o peronismo, lá está, também, pretendendo integrar sua “ala progressista”, a Frente pela Vitória (FPV) da presidente.

Se faltasse alguma coisa mais para fechar o ciclo do culto kirchnerista – um filme –, a lacuna logo será preenchida. No entorno da presidente, fala-se com entusiasmo em um filme sobre a história de amor dos dois jovens que se casaram em 1975, seis meses depois de se conhecerem na Faculdade de Direito da Universidade Nacional de La Plata, cidade natal da presidente, ela com 22 anos, ele com 25. O casal teve dois filhos – Máximo, hoje com 34 anos, e Florencia, com 21.

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Nenhum comentário

tico tico em 17 de janeiro de 2012

Os argentinos cultivam (não cultuam) o passado morbidamente. É marca registrada deles, são fixados na mãe, são fregueses de psicólogos (não clientes), grande maioria das letras dos tangos são mórbidas, em Buenos Aires há aos domingos no bairro onde se cultua com boas doses de vinho "Caminito Mio", uma feira de antiguidades, onde só falta cadáveres expostos, que bonecos de cêra os há. Não há salvação para a América Latina.

Ronalde em 15 de janeiro de 2012

Essa estupidez somente acontece na Argentina e na Coréia do Norte.

ixe em 14 de janeiro de 2012

Explico-me. Respeito muito e adoro ir à BBAA, por isso a surpresa. Estive recentemente, curti muito a capital portenha e nunca imaginei que tivessem erguido um enorme mausoléu para os K. É muito precoce para tanto. Que contraste com a Argentina de Borges, de Casares ou Piazzolla.

ixe em 14 de janeiro de 2012

Quê é isso, minha gente, los hermanos entraram em parafuso. Um mausoléu ?! Uau ! Coisa de doido essa história toda dos K.

Pedro Luiz Moreira Lima em 06 de novembro de 2011

Lucia s. Puxa vida Lucia s. - li o meu texto varias vezes pode até ser longo mas proloxo discordo - esta bastanto claro a minha opinão e sempre contra as ditaduras e seus aparelhos de repressão - releia com carinho o que postei verá que meu sentimento de repulsa a Hitler, Peron, Kadhafi,Mussoline, Átila, o huno e Gengis Khan e incluindo todos os generais ditadores de 1964 é tanto quanto o seu. Um grande abraço. Pedro Luiz

Lucia s. em 05 de novembro de 2011

Realmente, tem um postulante aqui, bem prolixo por sinal, que deve amar Hitler, Peron, Kadhafi, o doido do Irã de nome impronunciável o Mussoline, Átila, o huno, Gengis Khan e todos os similares assassinos, doidos e ditadores fanáticos.Vale lembrar que a maioria deles teve fim bem triste, entre enforcamentos, venenos e mortes brutais. Eu, einh!

Lucia s. em 05 de novembro de 2011

Se o Brasil merece e quer a dobradinha dilma-llulla, porque a Argentina não iria querer a viuva negra e o falecido (muito vivo no imaginário) consorte... América Latina adora se auto-imolar.

Oiram em 03 de novembro de 2011

Caro Oiram, deixo de publicar seu comentário pelo mau gosto. Fica para uma próxima vez. Abraços

Edison Abrantes em 03 de novembro de 2011

Setti, boa noite, Olhando detidamente a foto do KIRCHNER, nota-se que o apelido de pinguim não é somente pelo fato dele ter nascido na Patagonia. O homem parece o PRÓPRIO !!Abrs

Pedro luiz Moreira Lima em 03 de novembro de 2011

Amigo Setti: Considero o casal Nestor e Cristina Kirchner um dos muitos heróis de nossa tão sofrida América do Sul como Central. O Presidente Nestor foi eleito com uma Argentina quebrada,arrasada e humilhada como a Grécia hoje. Numa posição de SOBERANIA AO MUNDO – fez uma auditoria interna de sua dívida externa e com os dados auditados foram aos Bancos e Organismos Mundiais –“ O Estado Argentino reconhece como legítimo 20% de sua dívida os outros 80% são imorais!” Uma gritaria interna e externa – “Não Pode!!!” mas PODE! com a participação da quase totalidade da população Argentina – enfrentou os agiotas internos externos – e esses aceitaram submissos a Soberania e Altivez do Povo ArgeNtino. O Presidente Nestor implementou investimentos e gastos sociais, trazendo uma imensa massa na miséria para o mercado de consumo – chegando a um crescimento de 10%aa e sempre sustentável. No front interno lutou e venceu as sempre temíveis oligarquias argentinas com as Forças Armadas para sustenta-las. Em 2004 acabou com a ANISTIA aos torturadores e assassinos da Ditadura Civil e Militar de 1976. Um dos pontos mais emblemáticos foi a retomada da ESMA – Escuela Mecânica de la Armada,fundado em 1920 bem no centro de Buenos Aires. A Argentina tinha por volta de 80 centros de torturas e extermínios e a ESMA a mais importante, ali foram torturadas e mortas 5.000 pessoas e apenas 200 sairam de lá vivas.O outro centro de tortura e extermínio era a Garagem Olimpo do Exercito Argentino tambem em Buenos Aires. Em 2004, o Presidente Nestor Kirchner, desapropriou A ESMA e a Garagem Olimpo ,retirou de lá a Marinha e o Exército, transformando-os de Centros de Dor,Morte e Terror – em locais Cultura,Educação,Teatro,Pintura,Literatura e MUSEU VIVO dos CRIMES ALI PRATICADOS.A tomada da ESMA e Garagem Olimpo com as Madres de la Plaza de Mayo juntos com o casal Kischner e a população cantado atrás. A visitação a esses locais está aberto todos os dias, sem precisar de identidade – ali quem administra são 80 órgãos de direitos humanos governamentais e não governamentais – os MILITARES? Não Entram! só com permissão – perderam seus quartéis por INDINIDADE DO CUMPRIMENTO DO DEVER. Outros centros de Tortura e Extermínio estão na Justiça Argentina para o mesmo fim – Centros de Vida e não Morte. Os civis e militares condenados COM AMPLA DEFESA NA JUSTIÇA ARGENTINA, por volta de uma centena cumprem prisões Perpétuas, 20 anos,15 anos 10 anos em Penitenciarias Federais por toda Argentina e entre os mais famosos o ex general Videla e recentemente o Capitão Artiz,o Anjo Louro da Morte.Outros tanto em fase de inquéritos e prontos para serem julgados – COM AMPLA DEFESA!!! A Comissão da Verdade Argentina criada em 2004/5, exclusivamente por civis, não procura somente os criminosos como também seus financiadores. Entre os financiadores está o jornal (o maior do país) O Clarin. Durante a ditadura civil militar da Argentina,uma única gráfica era responsável pela fabricação do Papel para Jornal – seus donos dois irmãos judeus.O Clarin com seu total apoio ao regime ditatorial e com o apoio do Alm.Massera – abrir aqui um registro – a ESMA era o seu quartel general. Um dos irmão judeus foi seqüestrado e o outro submetido a ameaças – VENDEU(!) – a gráfica ao Clarin ,ficando o jornal dono único da GRAFICA – Massera ficou milionario dessa sua excursão como empresario. O irmão seqüestrado volta, tinha sido salvo por organizações sionistas e entra na Comissão da Verdade para ter acesso aos documentos da Venda e com eles na máos entrou na Justiça contra O Clarin. Sem seus antigos defensores, os militares corruptos e criminosos, O Clarin entrou em desespero – e uma bárbara campanha foi empreendida pelos principais jornais Argentinos contra o Governo,os Kischnrs, as organizações de direitos humanos e pasmem as Madres de la Plaza de Mayo. Os tribunais argentinos acataram a causa – próximo inimigo da imprensa da Argentina – o Judiciário? Outra confusão do Clarin e em relação aos herdeiros do jornal – o jovem casal herdeiro – sob suspeita de serem filhos de mães assassinadas, nos porões da ditadura, obrigados por Lei a fazerem exames de DNA para comparação aos Bancos de DNA de Famílias de Desaparecidos – outra grave acusação! A Imprensa Argentina caminhando para um difícil dilema – Liberdade de Imprensa a serviço do CRIME? Recomendo a assistirem os DVDs argentinos – A retomada da ESMA e a Historia da Madres de la Plaza de Mayo,aulas de dignidades perante ao TERROR. Quando da visita ao Cassino ou Clube dos Oficiais na ESMA onde eram realizados os horrores e a Garagem Olimpo, preparem seus sentimentos e corações – uma visita aos campos de extermínios nazistas. Finalizando – considero o casal Kischner os atuais generais libertadores de nossa América de Bolívar a San Martin embora CIVIS foram pioneiros na luta pela VERDADE e hoje correndo toda nossa América e o Brasil também. Brevemente na América de Norte,onde a Escola do Panamá, centro de aprendizado de torturas e terror de Estado,Vietnam,Guatanamo,Iraque,Afganistáo... Brevemente Europa e suas guerras coloniais. Obrigado Nestor,obrigado Cristina – por não mostrarem o MEDO DA VERDADE e SIM ENFRENTA-LA!!!!qualquer homenagem e ainda pequena. Pedro Luiz

Ana em 03 de novembro de 2011

A América Latina é o território da piada pronta!Pra suportar Fidel, Morales, Lula, Cristina, Chavez e tantos outros, só bêbado. Gente chata!

Rodrigo em 03 de novembro de 2011

Deveria se chamar "Cristina, La HIja de Argentina".

Jefff em 03 de novembro de 2011

Os nossos colunistas (a maioria não passe de palpiteiros ruins) diziam a um a ano atrás que Cristina não se reelegeria e que provavelmente nem se candidataria. Esses mesmos palpiteiros ainda tem a cara de pau de continuar fazendo previsões.

Corinthians em 03 de novembro de 2011

Devemos reconhecer... pior que usar o câncer como instrumento político é usar o marido morto...

Luis em 03 de novembro de 2011

Se a capa já é estranha ("efeito" de asas de anjo e um cabelo "emo"), imaginem o conteúdo....

Tito Livio Bereta Bereta em 03 de novembro de 2011

Passionais, começaram bem antes do Brasil. Vendiam carne e comiam filé em Paris. Autossuficientes em trigo, petróleo, metrô desde o início do século XX, tinham dois bois e quatro carneiros por habitantes, detentores de uma das melhores terras agricultáveis do mundo, não tinham miséria. Pobreza sim, mas não miséria. Tiveram a infelicidade de acreditar num demagogo. E depois em outros. Agora, de pernas para o ar, engolem mais um embuste, nuestros hermanos argentinos. É hora de reeditar CAMBALACHE. Brilhante tango composto em 1935, retrata muito bem a situação dantanho e a de agora. Pobres argentinos, Até quando a Argentina será letra de tango? Só nos falta a edição de um CAMBALHACHO brasileño... vez que nossa situação é muito semelhante se levarmos em consideração o pendor brasileiro para aceitar promessas demagógicas. Será o latino um ser inferior, incapaz de escapar das velhas e enferrujadas armadilhas? Os mesmos espertalhões e os mesmos trouxas..... Qualquer semelhança não terá sido mera coincidência. Daqui há pouco edificarão um mausoléu ao Lulla e outro ao Zé Dirceu. Ou construiremos o Panteão dos Heróis da Pátria, sei lá!

Tuco em 03 de novembro de 2011

. Fora do tópico. Justiça pra inglês ver... Rapidinho, né? http://veja.abril.com.br/noticia/celebridades/justica-nega-participacao-de-filho-de-wanessa-em-processo-contra-rafinha-bastos .

Tuco em 03 de novembro de 2011

. Quanto lixo... Lá e cá. .

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