Amigos do blog, há, entre os leitores, alguns admiradores fanáticos do kirchnerismo na Argentina — uma mistura de populismo com autoritarismo, de com pitadas de esquerdismo demagógico, concebida pelo falecido presidente Néstor Kirchner (2003-2007), a que deu continuidade a partir de 2007 sua mulher, a ex-senadora e hoje presidente Cristina Fernández de Kirchner.

Pois bem, vejam só o que diz a respeitadíssima revista britânica The Economist, um pilar de seriedade e credibilidade no trato de questões de economia e finanças, a respeito das manipulações estatísticas que o governo de Cristina realiza, com péssimas intenções.

O título da matéria, calcado no refrão da famosa canção do musical Evita:

“Não minta para mim, Argentina”

Imagine um mundo sem estatísticas. Os governos iriam mergulhar na escuridão, os investidores perderiam dinheiro e eleitores iriam engalfinhar-se para que seus dirigentes lhes prestassem contas.

É por isso que The Economist publica mais de 1.000 cifras de uma série de países toda semana, a respeito de temas como produção, preços e empregos. Não podemos ter certeza de que todos esses números sejam confiáveis. Os órgãos de estatísticas variam em relação a sua sofisticação técnica e sua capacidade de resistir a pressões políticas. Os números da China, por exemplo, podem ser marotos; a Grécia subdimensounou seu déficit, com consequências desastrosas. No geral, porém, os estatísticos de governos obtêm seus números de boa fé.

Há uma gritante exceção. Desde 2007, o governo da Argentina vem publicando índices de inflação em que quase ninguém mais acredita. [Autoridades] dizem que os preços subiram entre 5% e 11% por ano. Economistas independentes, funcionários de órgãos de estatística das províncias argentinas e levantamentos sobre expectativas de inflação, porém, asseguram, todos eles, que o índice real é mais do que o dobro do que dizem os números oficiais. (…)

O que parece ter começado como um desejo de evitar manchetes negativas num país com uma história de hiperinflação acabou levando ao aviltamento do INDEC, que um dia foi um dos melhores institutos estatísticos da América Latina.

Sua sede está atualmente coberta de cartazes de apoio à presidente Cristina Fernández de Kirchner. Técnicos independentes foram substituídos por outros que se auto-designam “cristinistas”. Num extraordinário abuso de poder por parte de um governo democrático, economistas independentes foram forçados a para de publicar suas próprias estimativas de inflação por meio de multas e ameaças de serem processados. Preços e indicadores adulterados fraudaram em bilhões de dólares detentores de títulos vinculados aos índices de inflação.

Não vemos qualquer perspectiva de um rápido retorno a números críveis. O secretário argentino do Comércio, Guillhermo Moreno, que conduziu o assalto ao Instituto Nacional de Estadísticas y Censos (Indec), continua sendo um dos assessores mais próximos da presidente. O FMI assinalou que a Argentina tem faltado à sua obrigação de proporcionar-lhe números confiáveis, fez recomendações e estabeleceu prazos para que isso seja feito. A Argentina, porém, ignora recomendações e prazos, o Fundo apenas torce as mãos, lamenta a “ausência de progressos” — e debilmente fixa novos prazos.

Em 2010, nós acrescentamos uma nota de advertência [sobre a Argentina] em nossos quadros estatísticos. A partir desta semana, decidimos abrir mão completamente dos números do Indec.

Estamos cansados de ser parte do que parece ser uma deliberada tentativa de enganar eleitores e fraudar investidores.

Para datos sobre preços ao consumidor na Argentina, nos basearemos agora na PriceStats, uma empresa especializada em inflação, que produz número sobre 19 países publicados pela State Street, uma empresa de serviços financeiros.

Se tivéssemos nos voltado para um dos institutos de estatística das províncias argentinas que ainda produzem números confiáveis, tememos que ele passaria a sofrer pressão do governo.

Um dos melhores analistas independentes do país nos fez uma generosa — e corajosa — oferta para fornecer seus dados, mesmo contra a opinião de seus advogados e sob a condição de que ocultássemos a fonte e disfarçássemos um pouco os números. Isso, porém, certamente geraria confusão.

A  PriceStats tem sede nos Estados Unidos, e está além do alcance do governo argentino. A grande quantidade de preços on-line em que se baseia é a prova de adulteração. A Argentina vai sem dúvida alegar que a empresa mede o consumo dos ricos, e não dos pobres, que podem não comprar pela internet. Nas os métodos da PriceStats são baseados em pesquisa sólida e rechecada por especialistas (…).

Esperamos poder em breve voltar a recorrer a um índice de preços ao consumidor oficial na Argentina.

Para isso, seria necessário que o Indec fosse dirigido por estatísticos independentes, trabalhando com liberdade. Até então, os leitores estarão mais bem servidos por números não oficiais, mas com credibilidade, do que estariam por indicadores espúrios.

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Therese em 28 de fevereiro de 2012

E aqui já fazem algumas maracutaias, uma delas é não corrigindo os preços dos combustíveis, e que se danem os acionistas da Petrobras.

Luís Roberto SBO em 28 de fevereiro de 2012

E aqui no Brasil, não acredito nas estatísticas "da era da medíocridade" e nem as atuais. É tudo mentira, como se diz, me engana que eu gosto.

Comunista Até a Alma. em 28 de fevereiro de 2012

Argentina está muito pouco esquerdista pro meu gosto. Mas quando a tiazinha sair vai entrar um socialismo mais forte e vamos brigar pra vencer a Inglaterra. David Cameron não pode sair por cima, mas se fosse um premier trabalhista eu até torceria para a Inglaterra.

alberto santo andre em 27 de fevereiro de 2012

MANTULA ,VOCE JA FOI A ARGENTINA ,POIS ENTAO VA E VEJA A MISERIA QUE SE TRANFORMOU AQUELEQUE JA FOI O MELHOR PAIS DA AMERICA DO SUL ,E CONSIDERADO PAIS DE PRIMEIRO MUNDO ,CASO TENHA DUVIDAS EXISTE UMA MATERIA DA TV EDUCATIVA SOBRE AS FAVELAS NOS ARREDORES DE BUENOS AIRES,QUE FAZEM COM QUE AS NOSSAS SEJAM CIDADES .[TODO AQUELE QUE AFIRMA SEM CONHECER, CORRE O SERIO RISCO DE SE PASSAR POR BURRO]

alberto santo andre em 27 de fevereiro de 2012

PARECE-ME QUE, A AMERICA DO SUL EM UM GERAL, EM BREVE PRECISARA DE DOSES EXTRAS DE OXIGENIO, TAMANHO SERAO OS NARIZES DESTES GOVERNANTES, ABAIXO DA LINHA DO EQUADOR.

João Menezes em 27 de fevereiro de 2012

Caro Setti. E o nosso indec - IPEA totalmente aparelhado para fazer a propaganda enganosa do pt. Abs. Na verdade, caro João, o nosso Indec é o IBGE, que continua tendo grande credibilidade. Abração

Zergui Pfleger em 27 de fevereiro de 2012

Se lá está tão bem, por que ela precisa entrar na Casa Rosada de helicóptero? Será que é devido à ocupação da praça em frente da Casa de Governo, por centenas de manifestantes que lá fazem vigília, com seus cartazes e faixas de protesto?

Razumikhin em 27 de fevereiro de 2012

Tomara que C.Kirchner consiga logo transformar aquele país irmão numa ditadura socialista. Hahahahaha

mantula em 27 de fevereiro de 2012

Caro Setti, a mídia da Argentina como no Brasil serve a poucos, e esses poucos querem governos populares fora. Isso é fato!. É simplesmente uma questão de maioria, aqui e lá. A maioria aqui a 10 anos diz não aos entreguistas ou neoliberais (apesar do esforço descomunal da mídia, diga as bolinhas de papel da vida). Esse esforço da mídia é perceptivel principalmente na internet, onde a grande mídia não pauta as correntes. Quem dera Dilma ter coragem para fazer o que Cristina faz na Argentina. Parabés a maioria brasileira, parabéns a Lula e Dilma!

Alberto Semer em 27 de fevereiro de 2012

Que um povo ignorante como o brasileiro eleja políticos desqualificados, tais como: Lula, Dilma, Sarney, Collor, Jader Barbalho, Calheiros, Tiririca (só para ficar nos "expoentes" da turma),va lá. Mas um povo como o argentino, mais culto e politizado do que nós, eleger os Kirchner eu não consigo compreender.

Luiz Pereira em 26 de fevereiro de 2012

Setti, boa noite, PINHIRINHO: é tanta coisa que se fala desse assunto, que resolvi postar este artigo. Espero que ajude no debate. abs Farsa Pinheirinho - Margrit Schmidt JORNAL DE BRASILIA - 26/02/12 Os tapetes felpudos do Senado Federal testemunharam durante a semana mais uma tentativa dos petistas de desconstruir o governo tucano de São Paulo. O embate se deu entre o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) e o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP). Suplicy, como se sabe, é aquele senador que tenta ser midiático e que na maioria das vezes provoca sono em seus colegas no plenário com seus longos e enfadonhos discursos. Além dos discursos chatíssimos que lhe valeram o apelido de "morgadon" (nome de um tranquilizante fictício), Suplicy gosta de cantar no microfone, da tribuna do Senado, clássicos de músicas de protesto, Bob Dylan, sambas e o que mais lhe der na telha para tentar chamar a atenção. Eduardo Suplicy levou ao Senado a denúncia de supostos estupros praticados por policiais militares durante a desocupação da favela de Pinheirinho em São José dos Campos, São Paulo. Descobriu-se depois sobre a sua denúncia que as pessoas que fizeram a acusação sequer moram no Pinheirinho. A investigação policial segue desmontando a farsa forjada por radicais aliados do petismo. Alguns exemplos da montagem dos fatos: os supostos eventos não se deram no dia da desocupação. Alguns dos denunciantes tinham sido presos com drogas e armas, fez-se boletim de ocorrência e os presos e familiares estavam acompanhados de sua advogada. Ninguém falou em estupro nenhum, as denúncias foram feitas dez dias depois da suposta ocorrência. A advogada dos presos já atuou na defesa de membros do PCC. O senador Aloysio Nunes não deixou por menos e derrubou, na última quinta-feira, a operação política do PT para tentar desmoralizar o governo tucano de São Paulo, ao rebater todas as mentiras repetidas pelos seus representantes, na Comissão de Direitos Humanos do Senado, na audiência sobre a reintegração de posse em Pinheirinho, determinada pela Justiça. Logo no início da audiência, Aloysio Nunes denunciou a manobra petista, que garantiu prioridade a Pinheirinho em detrimento de audiências referentes a denúncias de violação de direitos humanos em desocupações ocorridas em governos do PT, como na Bahia e no Distrito Federal. Ao convocar a audiência para a semana do Carnaval - sinônimo de Congresso esvaziado - Suplicy pretendia ser o protagonista e veicular a versão petista farsesca sobre os fatos ocorridos na desocupação determinada pela Justiça. Aloysio enfrentou mais de sete horas de debate sozinho. Com exceção dele, só havia representação parlamentar do PT e seus aliados, como PSTU e PSB. INSTRUMENTO POLÍTICO "A audiência, do jeito que foi montada, é instrumento político de interesse do PT, do Suplicy, e de outros grupos terceirizados pelo PT, que se utilizam da miséria alheia para promover seus interesses", resumiu Aloysio Nunes. Ele reiterou que o Governo de São Paulo apenas cumpriu uma decisão da Justiça. Na entrevista coletiva, logo após a audiência, Aloysio Nunes alertou: "No dia que se deixar de cumprir ordem judicial, que o Governo ou polícia resolver que não vai cumprir, voltamos ao estado de barbárie". Aloysio lembrou ainda que o Governo Federal, comandado pelo PT há quase dez anos, deveria ter manifestado interesse no assunto desde 2004, quando houve a ocupação irregular em Pinheirinho, e não nos últimos quinze dias e de forma vaga, sem tomar nenhuma atitude concreta. "Tinha gente querendo brincar de insurreição, pseudorrevolucionários prontos para radicalizar", disse o senador, uma das poucas vozes firmes e seguras da oposição neste triste quadrante da política brasileira. Nunes, justificou ainda o fato de o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), não ter enviado um representante para a audiência, porque sabia que ali haveria um "teatro" dos que desejam explorar politicamente o episódio. Restou a Eduardo Suplicy tirar a fantasia de péssimo cantor de boleros e vestir a farda de soldado furioso. A firmeza de Aloysio, que apenas mostrou a face verdadeira do episódio deixou Suplicy apoplético. Ele decidiu reagir aos berros para ver se a mentira vira verdade e pega no tranco. Ao assumir como verdadeiras as acusações contra a PM paulista, aos gritos, Suplicy só mostrou que tanto se pode ser tolo cantando e irritando as plateias como "falando grosso". A tolice não se apresenta só na forma, mas no conteúdo também. A tal "blogosfera progressista" está repercutindo o vídeo de Suplicy. A fala ponderada de Aloysio está no site do PSDB.

Marco em 26 de fevereiro de 2012

Amigo Setti: Parabéns por colocar esse artigo, minha estatística é individual, faço comparação do periodo base mês a mês, e chego a conclusão q é melhor diminuir o consumo, já q os preços são muito maiores q a inflação oficialista, já q ela é feita por média, digamos quanto era a gasolina em fev de 2011, quanto era o telefone, a luz, a agua e etc... Vc vai ver q esses dados de custo de vida estão totalmente ignorados pela estatística, e pergunto alguma vez alguém foi supreendido por deflação, não me lembro. Abs.

Sergio em 26 de fevereiro de 2012

Cada povo tem o governo que merece...Eles coma Cristina, nós com a Dilma/Lula. O que será que vai na cabeça da maioria da população sul americana ao eleger estas criaturas absolutamente desprepadadas/mal-intencionadas?

Gerci Monteiro de Freitas em 26 de fevereiro de 2012

Eles deveriam olhar com mais afinco as contas brasileiras, pois, cá como lá, a maquiagem corre solta...

Hattori Hanzo em 26 de fevereiro de 2012

O Socialismo é a perfeita união entre o crime e a mentira. Todos são do FSP.

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