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Frutas e verduras indo direto para lixão na Nicarágua: em países em desenvolvimento, 95% do desperdício ocorrem no início da cadeia produtiva — colheira errada, falta de estocagem ou transporte, refrigeração deficiente  e coisas do tipo (Foto: mysollars.com)

Tem muita gente que acha chato, chatíssimo falar em “sustentabilidade”. Talvez porque alguns dos mais destacados defensores do conceito no país não sejam grandes comunicadores.

Calcula-se que, em média, cada habitante do planeta consuma cerca de sete toneladas por ano de recursos da Terra — incluindo os alimentos que consome, as roupas que veste, as embalagens ou resíduos que descarta a cada momento, e que inclui uma infinidade de coisas, de biscoitos a remédios, de um hambúrguer comprado numa lanchonete a entulho de construção e por aí vai.

Esse consumo significa 49 bilhões de toneladas anuais de alguma forma retiradas do planeta.

Se esse ritmo de consumo persistir, no ano de 2050, quando a população mundial terá crescido dois bilhões de pessoas em relação aos 7,2 bilhões de habitantes atuais, haverá um consumo
anual de 65 bilhões de toneladas.

Não há um único estudioso sério que não considere esse cenário rigorosamente — e aí vem a palavra — insustentável, por não haver recursos disponíveis na Terra.

Como se isso não bastasse, todos nós desperdiçamos, a cada ano, um bilhão e 300 milhões de toneladas de alimentos.

De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), cerca de 95% dessas perdas nos países em desenvolvimento — o que inclui gigantes como a China, a Índia e o Brasil, entre outros — ocorrem no começo da cadeia de suprimentos, devido a limitações financeiras, gerenciais e técnicas na fase de colheita, a problemas de estocagem e refrigeração, a dificuldades de infraestrutura (estradas ruins, ferrovias insuficientes etc) e até a erros na embalagem.

Esse filme de horror ocorre num planeta onde quase um bilhão de pessoas passam fome, e no qual um terço da biodiversidade já se perdeu. Sem contar que, em diferentes frentes, principalmente na África, a desertificação avança em média 60 mil quilômetros por ano.

Sustentabilidade, portanto, virou sinônimo de sobrevivência da espécie.

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Platão em 03 de junho de 2014

Entre 40 e 60% dos recursos coletados e processados são desperdiçados. Inclusive na etapa final de consumo. Já pensaram se metade dessa perda for reduzida, através de uma campanha mundial?

Bruno Sampaio em 03 de junho de 2014

Da porta pra dentro da minha casa o desperdício é muito, mas muito próximo de zero. Isso só se resolve com educação de verdade, nunca com escolas -refeitórios enchendo a cabeça da garotada com bobagens (frequentemente marxistas) sem nenhuma aplicação prática.

Gilx em 03 de junho de 2014

Que riam muito, caro Setti. Mas rir de quem mesmo?

Marcello Castellani em 03 de junho de 2014

Depois de muita reflexão eu tenho uma opinião ligeiramente diferente acerca do termo sustentabilidade. Visto superficialmente, é isso mesmo. Se entrarmos um pouco mais fundo no que o termo propõe acabamos por perceber que se trata de "controle". A pergunta que se faz é: quem terá o controle do que se pode ou não fazer, do que se pode ou não consumir? O mal que o ser humano pode fazer é ilimitado, mesmo querendo ou pretendendo o bem fazer. Mais de 100 bilhões de pessoas passaram sobre a superfície desse planeta. Outros tantos bilhões de animais também. Creio que o próprio planeta expurgará aquilo que lhe faz mal. O assunto é polêmico. Deixo esse comentário apenas para ampliar o debate. Abraço!

Gilx em 02 de junho de 2014

É o típico texto esquerda melancia (verde por fora, vermelho por dentro) para aterrorizar os desavisados. 99,99% das espécies que já existiram foram extintas por causas naturais. Logo, a "aborrecida" presença humana e suas invenções sobre a influência no planeta é insignificante. "Sustentabilidade" é só mais termo que quer dizer controle sobre a sociedade. Nada mais. Esquerda, eu? Você é realmente um grande piadista -- ou um péssimo leitor do blog. Em qualquer dos casos, leitores que conhecem o conteúdo da coluna devem estar morrendo de rir de você.

Alberto Porém Jr. em 02 de junho de 2014

Caro Alberto, obrigado pela dica. VEJA publicou reportagem a respeito. Vi também algo na televisão. Infelizmente é uma realidade que desponta. Abraço

Leandro Paraná em 02 de junho de 2014

O problema da sustentabilidade é que muitos a confundem com os ambientalistas-xiitas-malas.

Jair em 02 de junho de 2014

Como o Brasil cresce 3 milhões de habitantes/ano, creio ser necessário adoção de política de planejamento familiar. A aprovação da PEC 584 de2002 seria um ótimo começo.

Alberto Porém Jr. em 02 de junho de 2014

Mas eu fico com Antoine Lavoisier: ""Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma" - Faço projetos de irrigação e ouço comumente a seguinte frase: " A irrigação gasta muita água vital para o planeta". Meu Deus! A água tem um ciclo como tudo,eu disse tudo, neste planeta. Não retiramos nada do planeta. O que entra por cima sai por baixo. Água "perdemos" de diversas formas e a uma das principais é o suor que vai pra onde? Nosso planeta e tudo que existe nele é muito, muito mais intrigante e lindo que nossa parca "consciência do todo" pode ver.

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