Vou mudar de vida, mudar de país e — infelizmente, mas por vontade própria — deixar a coluna no final de abril. Com um imenso sentimento de gratidão pelos leitores

obrigado okComo infelizmente vazou de forma mentirosa e muito mal intencionada em redes sociais minha decisão de deixar o blog para ir viver junto a minha família em Barcelona — e interromper por período indeterminado a carreira jornalística –, gostaria de esclarecer o que de fato se passa.

Não se trata, absolutamente, de nada relacionado à Editora Abril ou a VEJA: ambas me trataram e tratam principescamente desde que voltei pela terceira vez à empresa, em setembro de 2010 — terceira vez porque trabalhei na edição escrita de VEJA durante uma década, entre os anos 70 e 80, mais tarde atuei em outra revista durante um ano e meio, entre 1985 e 1986, retornei para ocupar diferentes funções de direção a partir de 1992 e, em 2001, depois de combinar com meus chefes com grande antecedência, decidi deixar a Abril, deixar de ser executivo e passar a ser mais dono de meu nariz.

A decisão que anuncio agora é estritamente pessoal, uma decisão de vida, que levei já em setembro do ano passado ao diretor de Redação de VEJA, Eurípedes Alcântara — autor do convite para que eu aqui fizesse um blog, iniciado a 13 de setembro de 2010.

Ele entendeu minhas razões com simpatia e generosidade. A ele, entre incontáveis gentilezas, devo a alegria e o prazer de haver caminhado para o final da carreira justamente na sua ponta mais moderna — a internet. Para tanto, o diretor de Redação do site de VEJA, Carlos Graieb, igualmente gentil e generoso, colaborou de forma decisiva.

Estou completando este mês 50 anos em redações. Comecei cedo, antes de chegar aos 19 anos, e daí para a frente nunca mais desliguei as antenas do que estava acontecendo. É um tique que qualquer jornalista conhece, que nos fornece muita adrenalina mas também requer muito — as antenas não são recolhidas nunca, seja em fins de semana, feriadões, férias…

Quero interromper isso por um longo período, ou talvez de forma permanente. Disponho de uma excelente razão: toda a minha família reside fora do país, em Barcelona, e quero ter com eles a convivência que, mesmo com visitas frequentes, a distância não permite. Minha filha, que é jornalista, e o marido lá vivem há 14 anos. Meu filho, que é jornalista e músico — e pai do meu netinho –, com a mulher, está há oito anos na cidade. Minha mulher já seguiu para lá há alguns meses, e me faz muita falta, como todos.

Como digo brincando à família e aos amigos, a areia da minha ampulheta já correu muito. Espero que ainda dure muito mais, mas é hora de aproveitar mais a vida e sobretudo de cultivar mais e melhor os muitos afetos. Por esta razão, virei com frequência ao Brasil, já sem o peso do trabalho fixo, para estar com meus irmãos, meus sobrinhos, meus primos, os muitos amigos.

Em breve divulgarei o link de meu site pessoal, em construção, para que os amigos eventualmente interessados no trabalho que desenvolvi ao longo de minha trajetória profissional possam conhecer o que fiz antes do blog em VEJA, em diferentes veículos, em reportagens, entrevistas, artigos, editoriais, fotos, vídeos e áudios.

Será uma forma de termos contato — e, quem sabe, dali surja futuramente um novo blog.

Sairei no final de abril, mas desde já quero manifestar aos leitores meu imenso sentimento de gratidão pelo prestígio da audiência, pela participação por meio dos comentários — inclusive, é claro, os críticos –, pela alegria diária que me proporcionaram com sua presença em minha tela de computador.

Levarei no coração, para sempre, a lembrança desses quase cinco anos.

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