Zózimo: Cara de pau

O programa eleitoral do TSE na televisão tem exacerbado um fenômeno que vem ocorrendo desde o início da campanha pela Presidência: a apropriação, pura e simples, por um candidato, de idéias ou expressões forjadas por outros. A lista não é pequena. Alguns exemplos:

O candidato do PL, Guilherme Afif Domingos, desde o ano passado prega como solução para a economia do país um “choque de capitais”. O presidenciável Mário Covas, do PSDB, passou a mão na expressão, mudou-a para “choque de capitalismo” e centra nessas palavras seu discurso moderno.

Também foi Afif o primeiro a levantar a bandeira do desenvolvimento do falecido presidente JK. Fernando Collor, do PRN, com a maior sem-cerimônia passou a se considerar o “seguidor de JK”, reforçado pelo apoio que conseguiu de sua filha, Márcia Kubitschek.

Falar mal da Globo foi tema recorrente, durante muito tempo, da fala de Leonel Brizola, do PDT. Agora, também Aureliano Chaves, do PFL, sempre que pode mete sua colher no assunto.

O calote da dívida externa, sob a forma de suspensão de pagamentos, era tese de Lula, do PT. Agora, até Paulo Maluf, do PDS, a defende.

“Comer mingau pelas bordas” era a forma como Leonel Brizola, do PDT, anunciava que venceria as eleições para governador do Rio em 1982. Pois essas mesmas e exatas palavras são usadas, hoje, por ninguém menos do que Ronaldo Caiado, do PSD, para avisar, na TV, que é ele quem vai ganhar em 15 de novembro.

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