Zózimo: É o protocolo

O estado das relações entre o governador paulista Orestes Quércia e o governo do presidente José Sarney pode ser medido com grande acuidade por um recente episódio, que não veio a público, e que bateu no plexo solar do projeto que é a menina dos olhos de Quércia: o Memorial da América Latina, grande centro cultural em fase final de construção no bairro paulistano da Barra Funda, a um custo estimado em 42 milhões de dólares.

Na inauguração do Memorial, no próximo dia 18, Quércia pretendia ter as presenças oficiais do maior número de governantes latino-americanos, do presidente argentino Raúl Alfonsin ao dirigente cubano Fidel Castro.

Para isso, porém, seria necessária a cooperação do Itamaraty, já que o protocolo internacional exige que visitas oficiais de chefes de Estado a um país estrangeiro só se dêem a convite.

Por orientação do presidente José Sarney, o Itamaraty disse “não” a Quércia.

Assim, os vários presidentes que já confirmaram sua presença — entre eles o da Venezuela, Carlos Andrés Perez, o da Costa Rica, Oscar Arias, e o da Nicarágua, Daniel Ortega — estarão em São Paulo como cidadãos privados.

 

(Nota publicada no Jornal do Brasil.)

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