Cabeludo (à dir.), apareço nesta imagem olhando feio para Médici, terceiro dos generais-presidentes da ditadura, durante visita do então já ex-presidente à PUC de Campinas para ser homenageado como paraninfo de uma turma, em outubro de 1975. Eu estava começando em VEJA e meus editores me mandaram cobrir o evento porque desconfiaram dessa visita — Médici era distante do general Geisel, seu sucessor, e desde que passou a faixa, mais de um ano antes (a 15 de março de 1974) se mantivera silencioso e recluso.
Fui xeretar e descobri que a homenagem “espontânea” fora, na verdade, uma iniciativa do próprio Médici, que se autoconvidou via sua assessoria. VEJA estava sob férrea censura e esta informação, única que dava sentido à matéria, acabou sendo cortada pelo censor. O personagem em primeiro plano entre Médici e o repórter era o então reitor da PUC, Benedito Fonseca.