A União Europeia sonhou alto: o ZEHST é um conceito de jato hipersônico que seria capaz de voar de Paris a Tóquio (9.700 quilômetros) em menos de três horas, um espanto! — contra as mais de 13 horas necessárias para fazer o trajeto hoje em avião comercial.
Mas a principal característica do avião, que chegou a começar a ser estudado e planejado pela companhia aeroespacial europeia European Aeronautic Defence and Space Company (EADS) – que controla, entre outras empresas, a Airbus -, não era a velocidade, mas a sustentabilidade: resultado do biocombustível que impulsionaria o avião, feito a partir de algas marinhas.
Com isso, o ZEHST – abreviação de Zero Emisssion HyperSonic Transportation, algo como transporte hipersônico de emissão zero – poderia, segundo se acreditava, atingir 4 vezes a velocidade do som (mais de 4.800 km/h) sem prejudicar o meio ambiente.
Após a decolagem e a estabilização da aeronave no ar, seriam utilizados no prosseguimento do voo foguetes com motores movidos a oxigênio e hidrogênio, que liberam na atmosfera apenas uma inofensiva água em forma de vapor. A capacidade da aeronave, de design inspirado no aposentado avião comercial supersônico franco-britânico Concorde, deveria variar entre 50 e 100 passageiros.
As maravilhas do jato ecologicamente correto, entretanto, tão cedo não poderão ser comprovadas. A EADS havia prometido o primeiro protótipo para a década de 2020, enquanto os voos comerciais seriam realizados apenas em 2050.
Com tantos desafios na agenda da União Europeia, contudo, o ZEHST permanece um projeto conceitual, e não há indicações no momento de que saia tão cedo das pranchetas e dos computadores. Os imensos desafios tecnológicos e os enormes custos associados a vôos hipersônicos, somados à necessidade de grandes progressos na obtenção de materiais especiais e sistemas de propulsão mais avançados, levaram à estagnação do projeto.
Mas projetos ambiciosos não raro deixam filhotes mais à mão mesmo que deixados de lado. Embora o ZEHST esteja congelado, há grandes esforços em curso na indústria europeia de aviação para desenvolver combustível e tecnologicas sustentáveis. Um exemplo é o Projeto Fuelgae, inicativa bancada pela União Europeia destinada a explorar o potencial das algas marinhas como combustível para a aviação e e a navegação. Outro, em sentido semelhante, é o MacroFuels Project, focado em produzir biocombustíveis das chamadas macroalgas, algas de tamanho grande, visíveis a olho nu, diferentemente das microalgas, também cogitadas como matéria-prima para combustível. O objetivo é obter das macroalgas etanol, butano, biogás e outras substâncias.
6 Comentários
Quanto vai custar o projeto? Quem vai financiar o projeto?
Se os primeiros vôos comerciais no primeiro mundo só estão previstos para 2050, por aqui nas nossas repúblicas bolivarianas só vamos ver o bicho lá pra 2070 e voar nele, então nem pensar. Isso vai ser coisa pro neto do Elke Batista.
Ricardo, nesses tempos de última viagem de um Shuttle para a ISS, encaminho para você um vídeo simulação daquela que pode ser uma das naves privadas que serão escaladas para levar os astronautas americanos para a estação espacial nos próximos anos. A nave se chama Dragon, e já está sendo construída pela empresa SpaceX. Em dezembro passado um dos primeiros protótipos foi lançada para a órbita terrestre e voltou sem problemas. Acredito, pelo que leio, que em cinco anos os americanos voltarão ao espaço numa nave dessas. Confira no link abaixo. Um Abraço http://www.youtube.com/watch?v=SmkP6GySJe0&feature=fvst
Que preguiça... Bem... Só não podemos perguntar sobre a emissão da cadeia produtiva do combustível usado!! É tudo lindo e maravilhoso: 2H2 + O2 = 2H2O + Energia... A questão é: como se obtém H2 (gás hidrogênio)? Levando-se em conta que a maioria dos ''ambientalistas'' abominam a energia nuclear, desconheço resposta fácil para esta equação... Conforme for, sairia mais ''barato'', ecologicamente falando, voar de Concorde a querosene.
Com essa quantidade de passageiros, a passagem será ainda mais cara e inviável que a do Concorde. Será economicamente viável?? Num mundo em que a tendência tem sido "mais pessoas viajando, com custo menor", tenho dúvidas.
Ainda estamos no trem-bala na agulha; picotado umas trezentas vezes. Graças a Deus ainda não saiu, senão teríamos de pagar os olhos da cara.