Lula com uniforme de petroleiro e as mãos sujas de óleo na plataforma P-50, a 21 de abril de 2006, assegurando: “Brasil agora é dono de seu nariz”. (Foto: @VEJA)

Foi um fuzuê danado.

Lula e um entourage inteiro embarcaram de helicóptero do litoral do Estado do Rio até 120 quilômetros mar adentro, descendo em uma plataforma da Petrobras, a P-50, de 77 mil toneladas, fundeada na Bacia de Campos. O presidente, fantasiado de petroleiro, com uniforme cor de laranja e capacete, apertou o botão que deu a partida nos equipamentos de perfuração, sujou suas mãos de petróleo — como Getúlio Vargas fizera, em gesto célebre, após uma das primeiras descobertas da Petrobras, nos anos 50 — e anunciou, de boca cheia, que o Brasil era auto-suficiente em petróleo.

Era o dia 21 de abril de 2006.

Dois dias depois, em seu programa de rádio, assegurou que o Brasil era a partir de então “dono de seu nariz”.

No dia da visita do presidente, o então presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, distribuiu declaração dizendo, entre outras coisas, o seguinte:

“A Petrobras e os brasileiros venceram mais um desafio. Quando a empresa foi criada, muitos não acreditavam que fosse viável. O fato é que, 53 anos depois, ela conquistou a auto-suficiência para o Brasil”.

Pois bem, o que temos, hoje, mais de sete anos depois, segundo dados oficiais?

O governo anunciou dias atrás que, depois de 11 anos registrando superávit de dois dígitos, a balança comercial brasileira no ano passado, 2013, ficou positiva em apenas 2,5 bilhões de dólares em 2013 — exportações de 242,2 bilhões versus importações de 239,6. Foi o pior resultado em 13 anos.

Só por comparação, em 2011 o saldo da balança comercial foi mais de dez vezes superior — uma diferença favorável de 29,8 bilhões de dólares entre o que o país exportou e o que importou.

E o que é que afundou os resultados da balança comercial?

As importações de petróleo, por parte do “auto-suficiente” Brasil de Lula e Dilma.

O déficit na chamada “conta-petróleo” — a diferença entre o que o país exporta de petróleo e derivados e aquilo que compra no exterior — explodiu, indo para 20,277 bilhões de dólares.

Este é o déficit, porque o total que o país gastou, importando petróleo, gasolina e outros produtos, chegou a nada menos que 40,5 bilhões de dólares. Só de petróleo bruto, propriamente dito — aquele a respeito do qual nos prometeram auto-suficiência –, foram 16,32 bilhões de dólares, mais 24,18 bilhões em combustíveis, lubrificantes e outros produtos da cadeia produtiva do óleo vindos do exterior.

Esses são resultados de um tipo de governo que conta vantagens, torra bilhões em publicidade e faz tudo de olho na eleição seguinte e em sua perpetuação no poder. Só não faz, como podemos ver, itens importantes da lição de casa.

ATUALIZAÇÃO
A importação de petróleo e derivados bem baixando desde que este post foi publicado, em janeiro de 2014.

Em 2023, por exemplo, o Brasil gastou cerca 9,8 bilhões de dólares em importações de petróleo bruto (o chamado “crude”) e 18,5 bilhões em derivados, num total de 27,9 bilhões, bem menos que os 40,5 bilhões de dez anos antes, mas ainda assim uma soma considerável.

Em 2024 foram gastos 8,7 bilhões em petróleo bruto e 15,2 bilhões em derivados, num total de não desprezíveis 23,9 bilhões.

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