Em Acapulco faz calor o ano inteiro, de janeiro a dezembro, de modo que no dia 27 de setembro de 1996, com um sol de rachar num céu azul sem nuvens, nem o ar condicionado ajudava muito.
A conferência das edições internacionais de Playboy, então, moveu-se do salão do hotel em que até então se realizava para uma grande varanda, defronte a um jardim de palmeiras, com a vista do mar não muito distante e uma brisa a calhar.
O péssimo equipamento fotográfico que possuía na época não permitiu tirar foto melhor do que esta. De todo modo, é possível descrever alguns dos participantes e contar a história da “musa da conferência”, a louraça Saskia Middelburg, editora de fotografia da edição de Playboy na Alemanha e ela própria alemã nascida no Chile.
Na foto, que em absoluto não lhe faz justiça, ela está de bermudas, camiseta escura e boné, entre o editor australiano Andrew Cowell e a publisher polonesa Beata Milewska, outra que fazia chacoalhar corações. Já chego na alemã, mas deixe-me dizer que, ao lado de Beata, estava o editor do Playboy da Polônia, Tomasz Raczec, sempre sério como um professor de Física, seguido do milongueiro italiano Alvaro Zerboni e do diretor editorial da área internacional, o americano David Walker.
Do pessoal de costas, reconheço, de camiseta branca, um amigão: o diretor de Arte da revista na Rússia, Igor Shein.
Bem, vamos a Saskia. Alta, loura, olhos azuis, corpaço que exibiu logo na primeira oportunidade à beira da piscina do hotel, ela literalmente não dava bola para ninguém. Em geral permanecia com o grupo de alemães, que incluía o editor Nikolas Marten, competente maestro de uma edição bela na forma e forte no conteúdo, e mais dois.
A maioria dos participantes do encontro era masculina, e quase todo mundo esticava um olho comprido para Saskia. Mas o grande boquiabrir ocorreu quando, logo na primeira noite, encerradas as atividades, findo o jantar, com um grupo reunido ao ar livre, alguns fumando (era permitido, então), todos contemplando o esplêndido céu estrelado de Acapulco, eis que Saskia surge envolta em um roupão.
Caminha até a beira da piscina, tira o roupão, exibindo um minúsculo biquíni branco, atira-se na água e começa a nadar. Nadou durante uma meia hora, emergiu gotejante da piscina, chacoalhou a cabeleira loira, embrulhou-se no roupão e sumiu.
A sereia noturna repetiu a performance até o último dia da conferência.
Achei no Instagram fotos dela, hoje. Continua bonita. Imaginem há dezenas de anos.